O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou uma repórter da CNN se calar durante uma discussão na Casa Branca nesta segunda-feira (17). O bate-boca começou quando Kristen Holmes questionou o republicano sobre a relação dele com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e a decisão de reduzir exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.
Holmes perguntou se Kim havia pedido a Trump que diminuísse as manobras. O presidente interrompeu a jornalista e afirmou que ela estava sendo “desrespeitosa”. Quando soube que ela trabalhava para a CNN, passou a atacar também o veículo.
“Fique quieta”, disse Trump. O presidente repetiu a ordem enquanto a repórter tentava continuar a pergunta. Ele ainda a chamou de uma pessoa “barulhenta” e acusou a jornalista de produzir notícias falsas.
🚨VEJA: Trump manda repórter da CNN ficar quieta no Salão Oval da Casa Branca: “QUIETA! Fique quieta, fique quieta, fique quieta. Você é uma repórter que divulga fake news! Você é barulhenta e espalhafatosa.”pic.twitter.com/m3mIusrdq9
— Meio Independente (@meioindep) August 18, 2026
A troca ocorreu no Salão Oval durante um evento com a presença de convidados. Em um dos momentos, Trump chegou a recorrer a um jovem que estava no local para perguntar se ele também considerava a postura da jornalista desrespeitosa.
Depois do episódio, a CNN saiu em defesa de Kristen Holmes. A emissora afirmou que a correspondente fez uma pergunta relevante no exercício do trabalho jornalístico e criticou os ataques pessoais feitos pelo presidente.
Trump diz ter retoemado contato com Kim
A pergunta que provocou o bate-boca veio após Trump afirmar que Kim Jong Un respondeu às tentativas de reaproximação feitas pelo governo dos Estados Unidos. O presidente não explicou quando ocorreu o contato nem revelou o conteúdo das conversas.
Questionado sobre em que estágio estaria a interlocução, Trump classificou a situação como “muito positiva”. Também voltou a elogiar o líder norte-coreano e afirmou que os dois se entendem.
As declarações surgiram um dia depois de Trump determinar uma redução “substancial” da participação dos Estados Unidos nos exercícios militares realizados com a Coreia do Sul.
- Leia também: Trump manda reduzir exercícios militares com a Coreia do Sul
Trump argumenta que as manobras custam caro e enviam um sinal hostil a Pyongyang. Ele chegou a classificar a Coreia do Norte como “não ameaçadora e respeitosa” durante o atual mandato. O regime norte-coreano, por sua vez, costuma tratar os exercícios conjuntos entre Washington e Seul como preparação para uma possível guerra.
As manobras começaram nesta segunda-feira e estão programadas para seguir até 27 de agosto. Cerca de 18 mil militares sul-coreanos participam dos treinamentos.
Relação entre Trump e Kim vem do primeiro mandato
Trump tenta recuperar uma relação que marcou seu primeiro governo. Ele e Kim tiveram encontros de alto nível em 2018 e 2019, numa tentativa de avançar nas negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte.
Em junho de 2018, os dois participaram de uma cúpula histórica em Singapura e assinaram um documento no qual Pyongyang reafirmava o compromisso com a desnuclearização da Península Coreana.
No ano seguinte, uma nova cúpula realizada em Hanói, no Vietnã, terminou sem acordo sobre as sanções impostas à Coreia do Norte e o arsenal nuclear do país. Trump e Kim também haviam trocado elogios durante aquele encontro.
Desde então, Pyongyang ampliou seu arsenal e estreitou a relação militar com a Rússia. Tropas norte-coreanas chegaram a lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia. Mesmo assim, Trump tem sinalizado repetidamente que pretende retomar o diálogo direto com Kim.











