Atraídos pela possibilidade de obter rendimentos maiores dos que os praticados pelo mercado financeiro, cinco Tribunais de Justiça (Maranhão, Alagoas, Paraíba, Bahia e Distrito Federal) repassaram depósitos judiciais estimados em R$ 30 bilhões para o Banco Regional de Brasília (BRB) – instituição que pode ter levado calote bilionário de R$ 8 bilhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, com o qual fazia uma espécie de dobradinha.
Apesar de o BRB assegurar que as operações com os tribunais não serão afetadas pelo possível calote, os TJs correm o risco de não receber mais o dinheiro, que integra milhares de processos judiciais em tramitação na Justiça.
CNJ
As explicações da busca por maior lucro foram dadas pelos TJs ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investiga as operações.
Os tribunais não pensaram duas vezes em trocar a segurança oferecida por instituições mais conservadoras, como o Banco do Brasil e a Caixa, pela promessa tentadora de mais lucros.
Em alguns casos, a remuneração ofertada pelo BRB representava o dobro das fixadas por aqueles dois bancos públicos.
Explicação exdrúxula
Uma das explicações mais esdrúxulas foi dada pelo presidente do TJ do Maranhão, que chegou a afirmar aos seus colegas do tribunal, que parte dos rendimentos dos R$ 4,7 bilhões aplicados no BRB bancaria os “penduricalhos” devidos aos desembargadores.
Já ao CNJ, o Tribunal maranhense informou que fez a opção pelo BRB porque a instituição do DF lhe ofereceu taxa 120% superior à da concorrência.
Sinergia
O Master e o BRB tinham uma espécie de sinergia e, em alguns produtos, apresentavam modelos de negócio semelhantes.
Coincidência ou não, ambos operavam oferecendo taxas de remuneração bem acima da média oferecida pelas instituições financeiras concorrentes.
Outro ponto que mostrou a proximidade dos dois bancos foi quando a credibilidade do Master passou a ser questionada pelo mercado e o BRB, prontamente, assumiu suas carteiras de crédito e operações estruturadas.
Com o Master a caminho da insolvência, o banco de Brasília, sob o comando do então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), chegou também a fazer uma oferta para comprá-lo, mas foi impedido a tempo pelo Banco Central (BC), que suspeitou de jogada política.







