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Tortura? MPF pede mudanças no BBB 26 após incidentes em provas

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BBB 26 estreia com prêmio recorde de R$ 5,4 milhões e quarto brancoTV Globo

O Ministério Público Federal (MPF) enviou à TV Globo, nesta segunda-feira (06), uma recomendação para que a emissora pare de impedir o acesso de participantes do Big Brother Brasil 26 a banheiro, água potável e alimentação durante as provas.

O documento, assinado pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, foi motivado por episódios como o desmaio da participante Rafaella, que ficou mais de 100 horas confinada no “Quarto Branco”, e o mal-estar de Ana Paula Renault no “Castigo do Monstro. A medida se baseia na proibição constitucional à tortura e a tratamentos desumanos ou degradantes.

O MPF recomenda que a Globo interrompa qualquer atividade que force os participantes a ficar em pé por mais de três horas seguidas ou que os mantenha isolados sob luzes intensas por tempo prolongado.

O órgão também pede que a emissora analise o histórico médico de cada participante antes de cada prova, para evitar que pessoas com problemas cardíacos ou de coluna, por exemplo, sejam submetidas a riscos.

O documento cita o caso de Ana Paula Renault, que havia operado uma hérnia de disco meses antes do programa e mesmo assim participou de uma prova de resistência que ignorava suas limitações físicas.

Participante pode desistir sem punição

A recomendação do MPF determina que qualquer participante pode interromper voluntariamente uma atividade ao sentir mal-estar físico ou mental, sem sofrer penalização.

A Globo também deve dar acompanhamento psicológico por tempo indeterminado para todos que saírem ou forem eliminados do programa.

O MPF lembra que edições anteriores do BBB (2023, 2024 e 2025) já tiveram desistências e atendimentos de emergência.

Se a emissora não cumprir as medidas, o MPF pode tomar novas providências judiciais e administrativas.

Investigação começou em março

A recomendação faz parte de um inquérito civil aberto pelo MPF no dia 05 de março. A investigação apura se as dinâmicas do BBB 26 configuram tortura ou tratamento degradante.

Um dos focos é o “Quarto Branco”. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta ao MPF afirmando que a metodologia do quadro lembra práticas usadas na ditadura militar. Segundo a CEMDP, uma participante desmaiou em janeiro de 2026 após ser obrigada a ficar em pé sobre um pedestal muito pequeno por mais de 100 horas.

O MPF usou parâmetros internacionais para justificar a recomendação. O documento cita o código de radiodifusão do Reino Unido, que foi atualizado depois do suicídio de um ex-participante de um reality show britânico em 2019. As autoridades do Reino Unido criaram então o dever de “due care” (devido cuidado), que obriga as emissoras a evitar danos graves aos participantes.

Em resposta anterior, a TV Globo afirmou que oferece acompanhamento médico permanente, com suporte de UTI móvel e protocolos para levar participantes ao hospital.

Sobre o ator Henri Castelli, que teve episódios convulsivos durante uma prova, a emissora disse que ele recebeu atendimento e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões. O inquérito civil foi aberto também pelos relatos do caso de Henri Castelli e de outro participante, Breno, que ficou “exilado” em uma área externa da casa.

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