MENU

Tarifaço de 25% dos EUA começa a vigorar nesta quarta (22)

walmir-banner01
Shadow
Exportações brasileiras começam a ser taxadas em 25%Pixabay

A tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos começa a valer nesta quarta-feira (22). O anúncio do nova tarifaço foi feito pelo governo do presidente Donald Trump na semana passada, dia 15, após a conclusão investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 — trecho da legislação americana sobre comércio internacional que permite ao país impor tarifas contra países quando identificam práticas comerciais consideradas injustas.

A taxação será aplicada aos produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano, com exceção de itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que juntos responderam por um terço da pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano.

Segundo o chefe do USTR, Jamieson Greer, a medida faz parte da política comercial “América Primeiro” e atinge o Brasil, que adotou práticas consideradas desleais pelos Estados Unidos. 

Ainda de acordo com documento divulgado pelo ESTR, a taxação de 25% é necessária para combater essas práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em igualdade de condições. E acrescenta alegando que as negociações realizadas entre os dois países ao longo do último ano não solucionaram as divergências comerciais. 

Pix e desmatamento

Entre as acusações que embasam a nova tarifa, os Estados Unidos citam a criação do Pix, que, segundo o governo americano, teria prejudicado o comércio de bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.

Também aponta como justificativa o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria aos fazendeiros brasileiros operar com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa.

O governo brasileiro rebateu todas essas acusações e considera a possibilidade de adotar ações de reciprocidade. 

Em resposta, apontou que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado vem diminuindo nos últimos anos, que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante o período de implementação do PIX, e que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.

O USTR promoveu uma audiência pública, no início do mês, antes da decisão sobre a proposta. O governo Lula optou por enviar integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que participaram como observadores. 

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou do segundo dia da audiência, mas sua presença não alterou a decisão do governo Trump.

O tarifaço

O primeiro tarifaço imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros entraram em vigor em 2 de abril de 2025.

Na ocasião, o presidente anunciou tarifas recíprocas com alíquota inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 países e territórios foram afetados pela medida, que, segundo a Casa Branca, buscava reduzir o déficit comercial norte-americano.

Em 15 de novembro de 2025, Washington formalizou a redução das tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos.

O decreto assinado por Trump revogou a tarifa recíproca de 10% imposta em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto.

Cinco dias depois, em 20 de novembro de 2025, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas.

Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu —por 6 votos a 3— que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou um decreto para impor uma tarifa global de 10% a todos os países

PUBLICIDADE