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Seguro-desemprego: como solicitar pela internet e quais as regras

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Carteira de TrabalhoRede social

O seguro-desemprego é um dos principais instrumentos de proteção social do Brasil. Previsto na Constituição e regulamentado por lei, o benefício garante assistência financeira temporária a trabalhadores formais dispensados sem justa causa, ajudando a manter a estabilidade econômica de milhões de famílias em momentos de vulnerabilidade.

A solicitação do benefício pode ser feita de forma totalmente digital, por meio do portal gov.br ou pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS.

Quem tem direito?

O trabalhador que deseja solicitar o seguro-desemprego precisa atender a alguns critérios: ter sido demitido sem justa causa, não possuir outra fonte de renda suficiente para sua manutenção e de sua família e ter recebido salários por um período mínimo, que varia de acordo com o número de vezes em que o benefício foi solicitado.

Também é necessário não estar recebendo outro benefício previdenciário de prestação continuada, com exceção do auxílio-acidente, do auxílio suplementar e do abono de permanência.

Após a demissão, o trabalhador recebe um número de requerimento da empresa. Com esse dado em mãos, basta acessar a plataforma digital, preencher as informações solicitadas e concluir o pedido. A análise é automática, e o pagamento, caso aprovado, é liberado conforme o calendário da Caixa Econômica Federal. O serviço é gratuito e o prazo estimado para liberação é de 31 a 60 dias corridos.

Benefício garantido, mas com financiamento em risco

Embora o acesso ao seguro-desemprego esteja garantido legalmente, especialistas alertam para riscos crescentes relacionados ao financiamento do benefício.

Em entrevista ao Portal iG, José Arnaldo da Fonseca Filho, especialista em Direito Administrativo, aponta que o aumento da dívida pública federal pode gerar pressões sobre o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), responsável por financiar o seguro-desemprego e outros benefícios sociais.

“Em um passado recente, houve um desvio de verbas do FAT para a Previdência, com o objetivo de pagar benefícios previdenciários. Embora autorizado por legislação, isso impactou o fundo e gerou dificuldades para honrar o pagamento do seguro-desemprego”, explicou Fonseca Filho.

A dívida pública federal continua com um crescimento acelerado e pode levar o governo a buscar novas fontes de financiamento, inclusive em áreas sensíveis como o FAT.

Para o especialista, esse risco exige atenção e fiscalização constante, especialmente em um cenário de debates sobre reformas administrativas e políticas de austeridade.

“Uma reforma administrativa pode alterar e impactar a questão do seguro-desemprego, pois podem surgir iniciativas para retirar recursos do FAT”, afirma. Ele defende que cortes no orçamento público devem priorizar áreas não essenciais, preservando investimentos em políticas sociais fundamentais.

Fonseca também alerta que, embora o Congresso Nacional e órgãos de controle como o TCU e a CGU possam atuar para impedir abusos, o uso indevido dos recursos do FAT já aconteceu antes — e pode voltar a acontecer.

“O correto é evitar, na origem dessas normas, que elas sejam formuladas de maneira a prejudicar o FAT. A transparência e o controle social são fundamentais para proteger esses recursos”, conclui.

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