A Polícia Civil de São Paulo passou a investigar dois homens que estavam na rua enquanto a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos, era agredida pelo marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Imagens mostram um deles ajudando Ivo a levar a mulher de volta para casa após ela ser atingida.
Giullia afirma que pediu socorro aos dois durante as agressões, mas não recebeu ajuda. A apuração sobre a conduta deles está no 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi. Ivo permanece preso preventivamente e já virou réu por lesão corporal e ameaça.
*Alerta de gatilho: a reportagem a seguir contém informações sobre violência contra a mulher.

As gravações registraram parte do episódio ocorrido na noite de sexta-feira (14). Giullia aparece na calçada em frente à residência do casal. Em determinado momento, Ivo avança contra ela e desfere um soco. Depois, um homem se aproxima e auxilia o empresário a conduzi-la em direção ao imóvel, apesar da resistência da vítima.
Segundo o relato da dentista, as agressões continuaram dentro da casa. Ela conseguiu fugir novamente e foi acolhida por vizinhos, que acionaram a polícia.
Polícia passou a investigar os dois homens
A confirmação da investigação veio nesta quarta-feira (19). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que “os fatos são investigados no 15º DP” e que diligências continuam para esclarecer a atuação dos envolvidos.
Um dia antes, a posição era diferente. Na terça-feira (18), a SSP dizia que não havia investigação instaurada contra outras pessoas envolvidas na ocorrência, mas deixava aberta a possibilidade de novos desdobramentos após a análise das imagens e demais elementos.
A defesa de Giullia sustenta que as situações dos dois homens devem ser analisadas separadamente. Um teria presenciado a violência sem prestar auxílio. O outro, segundo os advogados, teria participado ao ajudar Ivo a levar a vítima para dentro da residência.
Empresa contesta versão sobre funcionário
O Grupo Previx, que presta serviços de segurança na região, afirma que um funcionário da empresa fazia patrulhamento quando percebeu a ocorrência, acionou a Polícia Militar e permaneceu nas proximidades para prestar apoio. A companhia nega que esse agente tenha ajudado Ivo a conduzir Giullia.
Segundo a Previx, o homem que aparece auxiliando o empresário seria um segurança local conhecido como “guariteiro” e não faria parte do quadro da empresa. A companhia também afirmou lamentar o ocorrido, manifestou solidariedade à dentista e disse estar à disposição das autoridades.
Ivo Kos segue preso
Ivo Kos foi preso após Giullia denunciar as agressões. Ele nega parte das acusações e admitiu à polícia ter dado um soco na mulher do lado de fora da residência, mas rejeitou a versão de que tenha usado um taco de beisebol ou feito ameaças com uma arma de choque.
A Justiça manteve a prisão preventiva e concedeu medidas protetivas a Giullia. Ivo não pode entrar em contato com ela e deve manter distância mínima de 300 metros da vítima, da residência, do trabalho e de familiares.
A defesa do empresário informou que não vai comentar o caso neste momento. Já os advogados de Giullia tentam fazer com que as agressões sejam enquadradas como tentativa de feminicídio e pedem a responsabilização dos homens que estavam no local.












