Em um discurso contundente durante a sessão ordinária desta segunda-feira (09), o presidente da Câmara Municipal de Wanderley, Rafael Saldanha, direcionou duras críticas à Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). O parlamentar denunciou a falta crônica de água no município e as tarifas abusivas cobradas da população, anunciando medidas para pressionar a empresa por soluções imediatas.
“A população não aguenta mais”: críticas ao desabastecimento e contas exorbitantes
Em seu pronunciamento, Saldanha destacou que os wandereenses enfrentam falta diária de água, apesar das reclamações constantes. “A Embasa não está dando conta do abastecimento em Wanderley. O sistema está deficiente, e isso precisa ser dito com clareza”, afirmou, ressaltando que a crítica não se dirige aos funcionários locais, mas à gestão da empresa.
O presidente também citou um caso emblemático: uma família humilde que recebeu uma conta de R$ 503 – valor incompatível com a realidade de quem vive com um salário mínimo. “Vamos convocar o diretor da Embasa para vir aqui explicar como um aposentado paga R$ 500 de água e ainda compra comida”, ironizou, anunciando um ofício assinado por todos os vereadores para exigir esclarecimentos.
Audiência pública e troca de gestores: “Situação pode piorar”
Saldanha revelou que a Embasa passa por uma transição de diretoria, com a saída do ex-responsável local, Leonardo, e a chegada de um novo diretor – ainda em fase de adaptação. “Com o Leonardo, já estava ruim. Com um gestor de fora, temo que a situação piore”, declarou, demonstrando ceticismo sobre melhorias a curto prazo.
Para ampliar a pressão, o presidente propôs uma audiência pública na Câmara, com a presença do diretor regional da Embasa e da população. “Quero que ele venha dar uma aula de como pagar R$ 500 de água com um salário mínimo. E convidaremos os moradores para testemunharem”, afirmou, reforçando o papel do Legislativo como porta-voz das demandas populares.
Nota de repúdio e próximos passos
A Câmara formalizou uma nota de repúdio contra a Embasa, acusando-a de negligência no serviço essencial. Saldanha adiantou que, além do ofício, acompanhará pessoalmente as tratativas com a empresa nesta terça-feira (10).
“Não vamos aceitar silêncio. Se a Embasa não agir, levaremos esse caso a instâncias superiores”, prometeu o presidente, que tem mobilizado vereadores e a comunidade para exigir transparência e ações concretas. A situação coloca a empresa sob crescente pressão em um município onde o acesso à água – direito básico – virou luta diária.
Fonte: Câmara Municipal de Wanderley – Sessão Ordinária de 09/06/2025














