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Por que é importante ter a Itália na Copa do Mundo?

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Por que é importante ter a Itália na Copa do Mundo?Divulgação / FIGC

A Itália tem um passo importante de sua jornada à Copa do Mundo de 2026 nesta quinta-feira (26). Às 16h45 (horário de Brasília), enfrentará a Irlanda do Norte, em partida válida pela semifinal da repescagem europeia para o torneio. Caso despache o time britânico em Bérgamo, o país enfrentará o vencedor do duelo entre Bósnia e Herzegovina e País de Gales na grande decisão, que será disputada na próxima terça-feira (31).

A trajetória italiana nestas Eliminatórias é acompanhada de perto pelos apaixonados pelo esporte devido ao histórico recente da equipe. Apesar de ser tetracampeã, a seleção italiana não disputa a principal competição do planeta desde 2014. Inegavelmente, a Copa perde muito com a ausência da Azzurra. Veja abaixo os principais motivos que fazem o público sentir falta da Itália no Mundial:

Vilã histórica

Itália é uma das grandes antagonistas da história da Copa do MundoReprodução/X

Ao lado da Alemanha, a Itália é a principal vilã da Copa do Mundo. A história antagonista da Azzurra começou logo em sua primeira participação, em 1934.

Os italianos estrearam na competição em casa, em meio ao período em que o ditador Benito Mussolini comandava o país. Com isso, o primeiro título da nação, vencido sobre a Tchecoslováquia na final, foi recheado de acusações de corrupção e influência externa. No entanto, a equipe reforçou os argumentos de que era a melhor seleção do planeta ao conquistar o torneio pela segunda vez seguida quatro anos depois, na França.

Depois de uma longa era de reconstrução, a Itália voltou a ser vilã em 1970. Atual campeão europeu e principal referência defensiva do esporte, o país superou o jovem e empolgante time alemão na semifinal, por 4 a 3, no chamado ‘Jogo do Século’. Apesar disso, a sólida equipe de Ferruccio Valcareggi não foi capaz de segurar o futebol mais brilhante que o mundo já viu, perdendo por 4 a 1 para o Brasil na final.

12 anos depois, a seleção brasileira voltava ao torneio com um jogo tão vistoso quanto o do tricampeonato, mas parou em um time italiano ainda menos estrelado que o de três Copas atrás. A partida, hoje conhecida como ‘Tragédia de Sarrià’, é o grande trauma da vida esportiva de uma geração tupiniquim inteira.

O último ato vilanesco da Azzurra nos Mundiais aconteceu em 2006. Desta vez, com um time que facilmente poderia ser encaixado entre os favoritos ao título, a nação voltou a destruir o sonho dos alemães na semifinal. Com gols de Grosso e Del Piero nos últimos minutos da prorrogação disputada no Westfalenstadion, em Dortmund, promoveram o maior choro coletivo na Alemanha desde a reunificação.

Drama

Eliminações dramáticas marcam a história da Itália na Copa do MundoDivulgação / Fifa

Quando a Itália não acaba com sonhos e destrói oportunidades únicas de títulos, ela é eliminada de maneira dramática, com requintes de crueldade, como o que aconteceu em 1994.

Na primeira Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, a Azzurra foi carregada à final por Roberto Baggio, que, com cinco gols em três jogos, fazia um dos maiores mata-matas da história da competição, mas acabou custando o tetracampeonato do país na final.

Com a quinta cobrança de seu time na disputa por pênaltis, Baggio precisava marcar para permanecer vivo na decisão. No entanto, mandou a batida nas arquibancadas do Rose Bowl, se tornando o “homem que morreu em pé” e permitindo ao Brasil o primeiro tetra do torneio.

Oito anos depois, buscando igualar a marca brasileira, a Itália foi eliminada pela surpresa da competição: Coreia do Sul. Apesar disso, o principal responsável pela vitória asiática não foi um jogador sul-coreano, mas sim o equatoriano Byron Moreno, árbitro da partida.

Itália x Coreia do Sul, em 2002, é um dos jogos mais polêmicos da história das CopasReprodução/X

Logo aos cinco minutos de jogo, o dono do apito foi extremamente rigoroso ao sinalizar pênalti no puxão de Christian Panucci em Seol Ki-hyeon. Goleiro mais caro do mundo, Gianluigi Buffon entrou em ação, defendendo a cobrança de Ahn Jung-hwan e mantendo o placar zerado.

As decisões polêmicas de Byron Moreno se intensificaram após Christian Vieri abrir o placar no início do primeiro tempo, com uma bomba de cabeça. Um dos principais jogadores italianos, Gianluca Zambrotta precisou deixar o campo lesionado, após sofrer um carrinho criminoso na lateral. A saída do defensor sacrificou o esquema de Trapattoni. Segundo o árbitro, nem falta foi.

Aos 88, a Coreia do Sul empatou e levou o jogo à prorrogação, na qual, logo no início, a Itália ficou com um a menos, pela expulsão de Francesco Totti. Claramente derrubado na grande área pelo adversário, o ídolo da Roma recebeu o segundo cartão amarelo por simulação, mesmo com o árbitro muito distante da jogada.

Na segunda etapa do tempo extra, Damiano Tommasi foi lançado, driblou o goleiro e estufou as redes para, supostamente, marcar o gol de ouro ao seu país. No entanto, teve o lance anulado por um impedimento questionável.

Depois de inúmeras polêmicas, a Coreia do Sul fechou o confronto com apenas dois minutos restantes, com a precisa casquinha de Ahn Jung-hwan morrendo no fundo das redes, colocando o país asiático nas quartas de final e encerrando a promissora campanha italiana.

Trancos e barrancos

Comandante de 1982, Enzo Bearzot sofreu críticas e foi pressionado durante toda a campanhaReprodução/X

Sem a Itália, a Copa do Mundo fica sem uma de suas principais candidatas à surpresas e reviravoltas.

Em 1982, o país chegou ao torneio extremamente desacreditado e pressionado, com a convocação do treinador Enzo Bearzot gerando fortes críticas por parte da torcida e da imprensa.

Um dos principais motivos de revolta foi a convocação do atacante Paolo Rossi, da Juventus, que mal havia jogado após cumprir uma suspensão de dois anos pelo envolvimento no ‘Totonero’, escândalo de apostas que afetou o futebol italiano em 1980.

Na primeira fase, sofreu para passar do grupo que também possuía Polônia, Peru e Camarões, se classificando com a segunda posição, com três empates, superando os africanos na quantidade de gols marcados (2 a 1). Paolo Rossi, que atuou em todos os 270 minutos, não balançou as redes, gerando pedidos de mudanças na escalação.

Na segunda fase de grupos, a Itália foi para uma chave sul-americana, ao lado de Brasil e Argentina. O time iniciou a etapa com uma vitória mínima, por 2 a 1, sobre os atuais campeões do mundo, e, após uma convincente vitória dos comandados por Telê Santana no clássico, decidiria a vaga à semifinal contra a equipe canarinha.

Paolo Rossi, que era criticado pela totalidade da população italiana naquele momento, desencantou diante da seleção brasileira, marcando os três gols da vitória por 3 a 2, considerada uma das maiores zebras da história do torneio.

O centroavante ainda marcaria três vezes nos últimos dois jogos, diante de Polônia, na semifinal, e Alemanha, na final, incluindo a finalização que abriu o placar na decisão.

O título de 1982 da Itália é colocado, até os dias de hoje, como um dos mais improváveis de todas as edições da Copa do Mundo.

Paolo Rossi abrindo o placar para a Itália sobre a Alemanha na final da Copa de 1982Divulgação/Fifa

Copa do Mundo de 2026

A Copa do Mundo de 2026, 23ª edição do principal torneio de seleções organizado pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), acontecerá entre os meses de junho e julho deste ano. A competição terá países estreantes, retornos ilustres, sedes inéditas e um novo formato de disputa, que interrompe a sequência utilizada desde 1998. Veja tudo o que você precisa saber sobre o Mundial.

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