A Polícia Financeira da Itália apreendeu, nesta quinta-feira (28), mais de 12 quilos em barras de ouro, milhões em dinheiro, relógios de luxo e cerca de 20 imóveis de alto padrão, avaliados em mais de R$ 1,1 bilhão, em uma operação contra o falecido chefe da máfia do país, Matteo Messina Denaro.
Segundo a investigação, o grupo detinha uma participação “muito significativa” em um banco libanês, além de imóveis em vários países: Andorra, Ilhas Cayman, Gibraltar, Líbano, Luxemburgo, Mônaco, Espanha, Suíça e Itália.
A ação das autoridades revelou um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas que funciona desde os anos 1980, com oito empresas ligadas à rede criminosa identificadas: cinco na Espanha, duas em Gibraltar e uma nas Ilhas Cayman.
“Último padrinho”
Nascido em 26 de abril de 1962 em Castelvetrano, na Sicília, Messina Denaro era chefe da família mafiosa Cosa Nostra, com sete condenações à prisão perpétua.
Conhecido como “o último padrinho” da máfia italiana, foi condenado por seu papel no planejamento dos assassinatos dos promotores antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino em 1992.
Em 2020, recebeu nova condenação pelos atentados a bomba em Milão, Florença e Roma em 1993, que mataram 10 pessoas, além do sequestro, tortura e assassinato do filho de 12 anos de um delator que testemunhou contra a organização criminosa.
Já em 2023, foi preso em uma clínica de saúde em Palermo, onde se tratava de câncer de cólon sob o nome falso de “Andrea Buonafede”, encerrando uma fuga de 30 anos.
Nove meses após a prisão, morreu em um hospital penitenciário, aos 61 anos.
O procurador nacional antimáfia, Giovanni Melillo, destacou que atingir o patrimônio da organização é essencial para impedir o surgimento de novas estruturas capazes de projetar o poder intimidatório e a influência econômica da Cosa Nostra em escala global.
*Estagiária sob supervisão













