Uma rede internacional de tráfico de ovos de aves brasileiras em extinção pode ter movimentado mais de R$ 90 milhões, atuando em cerca de 20 anos. As informações são do Fantástico e o caso é investigado pela Polícia Federal (PF).
De acordo com a reportagem, os ovos eram retirados da natureza e vendidos no exterior por até R$ 6 mil cada. Um grupo criminoso é investigado e, até o momento, quatro pessoas foram presas, entre elas um estrangeiro.
A investigação começou após uma mulher suíça ser detida no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Ela tentava viajar de volta para a Suíça, escondendo no corpo 24 ovos de aves exclusivas do Brasil. Os ovos estão enrolados em meias de seda e foram identificados como da espécie papagaio-de-cara-roxa e papagaio-charão. Elas estão em risco de extinção. Dos 24 ovos apreendidos, apenas nove deram vida.
A suspeita já havia vindo em viagem para o Brasil cerca de 31 vezes. Após ser detida, ela foi liberada e teve o celular apreendido.
No aparelho, a Polícia Federal encontrou ligações com um homem, proprietário de dois grandes viveiros de pássaros na Suíça. Ela também tinha conversas frequentes com a família brasileira natural de Curitiba.
Os brasileiros administravam uma loja de equipamentos de captura e manejo de animais e são os suspeitos de fornecer os ovos aos suíços.
A principal suspeita da PF é que os ovos eram retirados de ninhos em áreas de reserva e unidades de conservação em Bocaiúva do Sul, cidade do Paraná.
A investigação também apontou que a organização criminosa atuava há cerca de 20 anos e realizou, nesse período, o menos 120 viagens com média de 20 ovos por trajeto.
A movimentação dos suspeitos acontecia principalmente no período de reprodução das aves na Mata Atlântica, entre agosto e março.

Prisões
Após começar a monitorar o brasileiro, a Polícia Federal acompanhou uma viagem do homem à Suíça. Lá, os policiais acompanharam os passos do brasileiro, que encontrou o suíço. Eles seguiram para a Ilha Gran Canária, na Espanha.
Os homens foram presos em flagrante dentro do quarto de um hotel na ilha espanhola. No local, a polícia apreendeu ainda cerca de R$ 260 mil em cédulas de euros e francos suíços.
Os homens aguardam o processo de extradição para o Brasil. A polícia espanhola também acompanha o caso.
Simultaneamente, a Polícia Federal cumpriu mandados em Curitiba e prendeu a esposa e a filha do brasileiro. Na casa e na loja da família, os agentes ainda encontraram 61 animais empalhados e 130 partes de bichos, incluindo crânios e dentes.
O material foi identificado como de espécies ameaçadas, como o mico-leão-de-cara-dourada e primatas colombianos. A mãe responde ao processo em liberdade provisória.
A mulher suíça, que iniciou as investigações, é considerada foragida.







