O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduziu um estudo que oferece novas estratégias para combater a verminose em ovinos, considerada o principal problema sanitário da criação, principalmente em regiões tropicais. O pesquisador Ricardo Lopes Dias da Costa, responsável pelo setor de ovinocultura do instituto, coordena a pesquisa.
O trabalho ganha relevância porque a demanda por carne, leite e derivados de ovinos cresce em São Paulo, o que exige ampliar o rebanho, intensificar os sistemas de produção e elevar a eficiência.
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Nesse cenário, a verminose, causada por diversos parasitas gastrointestinais, representa um entrave importante. Entre eles, o Haemonchus contortus se destaca como o mais predominante e patogênico, pois prolifera intensamente e causa perdas econômicas significativas. Além disso, a infecção pode provocar atraso no crescimento, perda de peso, anemia, queda no desempenho e, em alguns casos, a morte dos animais.
Acompanhamento durante um ano
Para a pesquisa, os cientistas avaliaram 100 borregas comerciais a cada 45 dias, ao longo de um ano. Durante esse período, analisaram características de desempenho, parâmetros sanguíneos e exames de fezes, incluindo a contagem de ovos por grama (OPG) e a coprocultura. Com base nesses dados, dividiram os animais em três grupos iniciais: 56,84% resistentes, 36,84% resilientes e 6,32% suscetíveis.
Os animais resistentes têm capacidade genética e imunológica de evitar o estabelecimento ou o desenvolvimento dos vermes, por isso apresentam baixo OPG e contaminam menos a pastagem. Já os resilientes se infectam e podem ter carga parasitária elevada, mas, apesar disso, convivem bem com os parasitas e mantêm o desempenho, a saúde e o ganho de peso.
Descarte seletivo reduz contaminação
Dentro do grupo de fêmeas resilientes, a equipe identificou ainda dois subgrupos: as de baixo OPG e as de alto OPG. Segundo Costa, reconhecer e descartar as resilientes de alto OPG é fundamental para diminuir as infecções nas pastagens, onde ficam de 95% a 98% das larvas, principal fonte de infecção para todo o rebanho.
“A discrepância na quantidade de ovos eliminados entre os grupos reforça o potencial de estratégias baseadas em características fenotípicas para aprimorar a seleção de fêmeas comerciais resistentes e resilientes de baixo OPG, contribuindo para sistemas produtivos mais sustentáveis e competitivos na ovinocultura moderna”, afirma o pesquisador.
Portanto, os resultados indicam que a seleção de animais com base em características observáveis pode funcionar como uma ferramenta prática. Com ela, os produtores conseguem reduzir a incidência de verminoses, diminuir perdas econômicas e fortalecer a ovinocultura no Estado de São Paulo.
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