A maior oferta de leite no Brasil deve pressionar os preços no quarto trimestre de 2026 e reduzir o espaço para novas altas na remuneração dos pecuaristas. Segundo a consultoria StoneX, a recuperação sazonal da produção tende a afetar as cotações de derivados como leite UHT, muçarela e leite em pó.
O movimento ocorre com a melhora das condições das pastagens e a retomada da produção em parte das regiões produtoras. No entanto, a intensidade da pressão sobre os preços dependerá do volume captado pelas indústrias e da capacidade do mercado de absorver a oferta adicional.
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Chuvas favorecem a recuperação da produção
O retorno das chuvas em grande parte do país melhora as condições das pastagens e favorece a oferta de forragens para o rebanho. Com isso, os produtores podem encontrar condições mais adequadas para alimentar os animais e sustentar a produção nos próximos meses.
Na Região Sul, a atividade já apresentava recuperação durante o terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, a melhora das condições climáticas em outras áreas produtoras tende a contribuir para o aumento da produção de leite no fim do ano.
No entanto, o clima pode gerar efeitos diferentes entre as regiões. No Nordeste e no Centro-Sudeste, a redução das chuvas e as temperaturas elevadas podem limitar o desenvolvimento das pastagens e a disponibilidade de alimentos para os animais.
Já no Sul, o excesso de precipitação pode favorecer o crescimento das forrageiras, mas também elevar o risco de problemas na infraestrutura das propriedades, na produção de alimentos e na coleta da matéria-prima.
Captação avança em ritmo menor
Apesar da recuperação esperada para o fim do ano, o crescimento da captação de leite perdeu força em comparação com 2025.
No segundo trimestre de 2026, o volume captado aumentou 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, a expansão havia chegado a 10,2% na comparação anual.
A diferença indica que o mercado apresenta um cenário menos folgado do que no ano passado. Portanto, embora a oferta sazonal deva crescer, o ritmo mais moderado da captação pode influenciar a intensidade dos ajustes nas cotações.
Para os pecuaristas, acompanhar essa evolução será importante, sobretudo porque eventuais reduções nos pagamentos podem afetar a rentabilidade da atividade.
Derivados lácteos entram no radar
Os preços dos derivados apresentaram sinais de enfraquecimento em setembro, segundo a análise da StoneX. Com mais matéria-prima disponível, as indústrias podem negociar em um ambiente de menor pressão por compras.
Nesse contexto, três produtos merecem atenção:
- Leite UHT: a ampliação da oferta pode pressionar as cotações no mercado.
- Muçarela: os preços dependerão do equilíbrio entre produção, estoques e demanda.
- Leite em pó: a disponibilidade do produto e o comportamento do consumo devem influenciar as negociações.
Em julho e agosto, o valor pago ao produtor ficou próximo de R$ 2,88 por litro, acima do registrado no mesmo período de 2025. Entretanto, a StoneX avalia que o enfraquecimento dos derivados e o aumento da oferta podem chegar gradualmente aos pagamentos ao longo do quarto trimestre.
Demanda pode limitar a queda dos preços
Mesmo diante da perspectiva de maior oferta, o consumo continua sendo um fator decisivo para o mercado. Segundo a consultoria, os derivados conseguiram manter preços favoráveis durante boa parte de 2026, apesar do aumento da produção registrado no ano anterior.
Esse comportamento sugere que o mercado absorveu parte do volume adicional. Além disso, a desaceleração recente da inflação geral pode contribuir para sustentar o consumo, embora o cenário econômico ainda exija cautela.
Por outro lado, se a produção avançar mais rapidamente do que a demanda, o mercado poderá enfrentar uma pressão maior sobre as cotações. Nesse caso, o aumento da disponibilidade de matéria-prima tende a dificultar a sustentação dos preços.
Pecuaristas devem acompanhar a remuneração
Diante desse cenário, os produtores precisam observar a evolução dos pagamentos recebidos pelos laticínios e dos custos da propriedade. Despesas com alimentação, manejo, mão de obra e transporte influenciam diretamente o resultado da atividade.
Além disso, acompanhar as condições climáticas e a oferta regional pode ajudar o produtor a planejar melhor os próximos meses.
A expectativa da StoneX é de pressão sobre os preços no último trimestre, mas a intensidade desse movimento dependerá do comportamento da produção e do consumo. Assim, o aumento sazonal da oferta coloca o mercado do leite em atenção, sem garantir uma queda uniforme das cotações em todas as regiões.
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