O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou artilharia pesada contra a transição energética em seu discurso na Assembleia das Nações Unidas, nesta terça-feira (23). Segundo ele, as energias renováveis não funcionam, são caras e não são fortes para alimentar as indústrias. E pior: fazem com que os governos comprometam sua economia, perdendo dinheiro.
Estas afirmações – obviamente inverídicas – mostram muito mais do que o potencial criativo da imaginação de Donald Trump. Existem motivos para que ele defenda a energia gerada por combustíveis fósseis – aquela que vem da queima de materiais como petróleo e carvão, liberando quantidades estratosféricas de gases de efeito estufa (como o carbono) na atmosfera. É esta energia, aliás, a principal causa das mudanças climáticas que o mundo precisa combater antes que não haja mais condições de sobrevivência da humanidade no planeta Terra.
Porém, enquanto o mundo discute a transição energética para barrar os eventos extremos causados justamente por esta emissão de gases, o governo atual dos Estados Unidos tem batido o pé com sua postura cética em relação à ciência climática e em defesa dos combustíveis fósseis. “O carvão é lindo”, disse Trump.
Por que será? Ora, os Estados Unidos já são o maior produtor de petróleo bruto do mundo e uma das bandeiras do presidente norte-americano é aumentar ainda mais esta produção não apenas para baixar o preço no mercado interno como também para exportar esta energia (suja). A Agência de Informações sobre Energia dos EUA prevê que a produção local chegue a 13,5 milhões de barris por dia ainda neste ano, o que seria um recorde.
“O discurso que ataca as energias renováveis é, no fundo, um discurso protecionista, de quem busca uma perpetuação da indústria do óleo e gás. Porém, é muito fácil observar que os países que dependem dessa energia estão pagando muito mais caro”, aponta Sandro Damásio, mestre em sustentabilidade do Rio de Janeiro.
Relatório recente publicado pela Irena (Agência Internacional de Energia Renovável) apontou vantagens financeiras em 91% dos projetos que usaram energia limpa em todo o mundo em 2024. O estudo mostrou que a mais barata é a eólica, justo ela, classificada por Trump em seu discurso como “grande, patética, cara e que enferruja” – ignorando o fato de as turbinas serem especialmente projetadas para funcionarem perto ou dentro do mar.
Enquanto isso, nas Nações Unidas, 17 chefes de Estado assinaram uma carta conjunta em defesa da transição energética justa e equitativa. O texto destaca a urgência em acelerar a produção e o consumo de energias limpas e ressalta que estes investimentos superaram os destinados a combustíveis fósseis. Como ressaltou Simon Stiell, secretário-executivo da ONU Clima: “A humanidade não pode se dar ao luxo de tropeçar”.












