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Nova tecnologia reduz em até 99,8% a Salmonella em carnes

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Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Biopark, em Toledo, no Oeste do Paraná, reduziu em até 99,8% a presença de Salmonella durante testes realizados no processamento de carcaças de frango. Nos ensaios com suínos, a redução chegou a 95,4%, segundo os resultados divulgados pelo projeto.

A equipe desenvolveu a solução a partir de demandas apresentadas por cooperativas e pela indústria de alimentos. Os pesquisadores realizaram testes laboratoriais e avaliações em condições que simulam características do processamento industrial.

O projeto integra o NAPI Alimentos Saudáveis, iniciativa que reúne governo, empresas, cooperativas e instituições de pesquisa para desenvolver soluções voltadas à cadeia de alimentos. O arranjo mantém pesquisas relacionadas ao diagnóstico e ao controle de Salmonella na avicultura e na suinocultura do Oeste do Paraná.

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A Salmonella está entre as bactérias associadas a doenças transmitidas por alimentos. No Brasil, o Ministério da Agricultura mantém programas específicos de controle e monitoramento do agente em estabelecimentos de abate de aves e suínos.

Como a tecnologia foi testada

Nos testes com frango, os pesquisadores informaram que a aplicação levou a população de Salmonella ao limite de detecção dos métodos analíticos utilizados. A equipe também avaliou diferentes sorovares e cepas isoladas de ambientes de produção.

Além disso, segundo os responsáveis pelo projeto, os ensaios não identificaram sinais de adaptação da bactéria ao tratamento.

A pesquisa também avaliou aspectos relacionados à segurança da aplicação. De acordo com os resultados divulgados, as análises químicas não detectaram resíduos do princípio ativo nas carcaças após a lavagem. Os testes sensoriais com consumidores também não identificaram alterações na aparência, no aroma, no sabor ou na textura da carne.

Os pesquisadores avaliaram ainda a segurança ocupacional e relataram condições adequadas de exposição dos trabalhadores nos ambientes testados.

“O resultado mostra que é possível atuar diretamente em uma etapa crítica do processamento, reduzindo significativamente a presença da bactéria sem comprometer as características da carne. É uma solução que nasceu de uma necessidade real da indústria e foi desenvolvida para aplicação em escala”, afirma Fernanda Heloisa Simch, supervisora de PD&I no Biopark.

Custo estimado fica abaixo de meio centavo por quilo

Além da eficiência nos testes, o projeto avaliou o custo estimado de aplicação. O valor ficou em R$ 0,0032 por quilo de frango e R$ 0,004 por quilo de carne suína, conforme os dados divulgados sobre a pesquisa.

Na prática, os valores representam menos de meio centavo por quilo processado. O custo de uma eventual aplicação comercial, porém, ainda dependerá das próximas etapas de desenvolvimento, regulamentação e adoção pela indústria.

O tamanho das cadeias ajuda a dimensionar o possível alcance da solução. Segundo o IBGE, o Brasil produziu 14,29 milhões de toneladas de carcaças de frango e 5,66 milhões de toneladas de carcaças suínas em 2025.

“Para uma indústria desse tamanho, o controle da Salmonella vai muito além da segurança dos alimentos. Ele está relacionado à competitividade, aos custos de controle sanitário e à capacidade de atender às exigências dos mercados internacionais”, considera Alberto Gonçalves Evangelista, pesquisador do Biopark.

Controle da bactéria envolve toda a cadeia

A presença de Salmonella pode gerar custos em diferentes pontos da cadeia produtiva. Entre eles estão medidas de biossegurança, análises laboratoriais, retenção e descarte de produtos, reprocessamento e eventuais recalls ou restrições comerciais.

Por isso, o controle da bactéria depende de várias medidas. A biossegurança nas granjas, o manejo dos animais, a higiene das instalações e o processamento industrial ajudam a reduzir os riscos ao longo da cadeia.

A solução desenvolvida pelo Biopark atua especificamente durante o processamento. Dessa forma, os pesquisadores avaliam que o método pode acrescentar uma barreira de controle nessa etapa, sem substituir as demais medidas sanitárias.

O projeto ainda não representa uma tecnologia disponível comercialmente. Antes disso, precisa avançar nas etapas de proteção intelectual e regulamentação. Os resultados divulgados até agora mostram, portanto, o desempenho obtido nos testes realizados e não uma garantia de eficácia em escala industrial.

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