Promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciaram cinco policiais civis e outras três pessoas por integrar um esquema de corrupção. O grupo usava a estrutura e os sistemas da própria corporação para interceptar cargas de eletrônicos e exigir propina em troca da liberação das mercadorias e dos motoristas.
Os policiais civis responderão pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, enquanto os outros três denunciados foram acusados de corrupção ativa e lavagem de capitais. Os promotores também pediram à Justiça que fixe uma indenização mínima de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos.
Leia também: Serial killer ou tribunal do crime? Corpos em sacos intrigam SP
Fruto da Operação Merx — deflagrada em agosto para combater crimes de corrupção e lavagem de dinheiro cometidos por policiais civis da Grande São Paulo —, a denúncia foi apresentada à Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o documento, o grupo mapeava e abordava cargas de eletrônicos oriundas de descaminho, que entravam clandestinamente pela fronteira com o Paraguai, com destino à região metropolitana.
Valendo-se de seus cargos e de dados sigilosos da polícia, os agentes cobravam propina direta ou indireta — equivalente a cerca de 70% do valor estimado do lote interceptado.
Em troca do pagamento, os policiais apreendiam apenas uma fração mínima da mercadoria para dar aparência de legalidade à ação ou simplesmente ignoravam o registro da ocorrência, devolvendo a carga intacta ao transportador.
Além do pagamento de indenização, o MP-SP solicitou o confisco definitivo dos bens e valores bloqueados dos acusados, para repasse ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos ou ao Fundo Integrado de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
O que é a Operação Merx
A Operação Merx visa combater atos de corrupção praticados por policiais civis da Grande São Paulo, além de apurar a lavagem de dinheiro decorrente dessas atividades.
Os investigadores descobriram que os agentes se apropriavam da estrutura pública e abusavam de suas funções para interceptar caminhões com produtos contrabandeados.
Nas abordagens, os policiais exigiam dinheiro para não prender os motoristas nem apreender as mercadorias. O material apresentado pelo Gaeco detalha as acusações e individualiza a conduta de cada um dos oito denunciados.








