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Menor rebanho dos EUA amplia demanda por carne brasileira

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O Brasil defendeu maior previsibilidade comercial com os Estados Unidos durante a 65ª Conferência Anual do Meat Import Council of America (MICA), realizada entre 2 e 4 de novembro, em Scottsdale, no Arizona. Na avaliação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a estabilidade nas regras de acesso ao mercado americano é essencial para exportadores, frigoríficos e consumidores dos dois países. 

O tema ganhou peso porque os Estados Unidos atravessam um ciclo de oferta reduzida. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país iniciou 2026 com 86,2 milhões de bovinos, o menor rebanho desde 1951. O número de matrizes também caiu para 27,6 milhões de cabeças, menor patamar da série histórica.

Com menos gado disponível, a indústria americana passou a depender mais de cortes magros importados. Esses cortes são misturados à matéria-prima gordurosa produzida nos Estados Unidos para fabricar carne moída e hambúrgueres. Por isso, o Brasil ocupa uma posição estratégica no abastecimento do mercado norte-americano.

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Exportações crescem

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em 2025, o Brasil exportou quase 271,8 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, alta de 18,3% em volume na comparação com 2024. Os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira no ano, com 7,77% das exportações do produto.

O ritmo continuou forte em 2026. Só em janeiro, os EUA chegou a importar 29,9 mil toneladas de carne, um crescimento de 63% no volume em comparação com a mesma data do ano anterior.

A receita também acompanhou a expansão. Segundo dados da USDA citados por reportagem do Agriculture, os frigoríficos brasileiros faturaram US$ 795 milhões com exportações de carne bovina para os Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21% em relação ao mesmo período de 2025. Em 2025, as vendas somaram mais de US$ 1,75 bilhão, recorde da série. 

Regras de acesso seguem limitadas

Apesar da demanda, o acesso do produto brasileiro continua condicionado a um sistema de cota tarifária. O Brasil não possui cota exclusiva e compete na linha “Outros países ou áreas”, cujo limite para 2026 é de 52,005 milhões de quilos. A quantidade caiu 13 milhões de quilos em relação a 2025, porque parte foi destinada ao Reino Unido.

A cota foi esgotada já em 6 de janeiro de 2026. Depois disso, as exportações brasileiras passaram a pagar tarifa de 26,4% fora da cota. 

Para reduzir a pressão sobre os preços internos, o governo dos Estados Unidos criou uma cota adicional de 300 mil toneladas para cortes magros frescos e congelados sem osso. A medida vale de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026. Os Estados Unidos dividem o volume em três lotes mensais de 100 mil toneladas e administram as liberações por ordem de chegada. Dentro dessa janela, o produto entra com tarifa reduzida.

Previsibilidade no centro da negociação

Durante o encontro no Arizona, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, apresentou três frentes de atuação brasileira: previsibilidade nas condições de acesso ao mercado, diálogo regulatório com o USDA e intercâmbio de informações entre importadores, exportadores e entidades do setor.

“Às vezes, quando falamos em comércio internacional, pensamos apenas em números, tarifas e toneladas exportadas. Mas, por trás de tudo isso, existem produtores, indústrias, empregos e famílias nos dois países. Nosso trabalho aqui é compreender essas conexões e encontrar formas de torná-las cada vez mais produtivas. Porque uma boa relação comercial não se mede apenas pelo que um país vende ao outro, mas pelo que ambos conseguem construir a partir dela”, afirmou Billi. 

Capacidade brasileira

O Brasil produziu mais de 12 milhões de toneladas de carne bovina em 2025 e exportou para 177 destinos. Além disso, para 2026, o país deve responder por cerca de 30% das exportações mundiais do produto, segundo estimativa citada pelo Mapa

Por outro lado, a  conferência do MICA reúne importadores, indústria e autoridades para discutir abastecimento, comércio internacional, regulação e logística. Portanto, para o setor exportador brasileiro, a discussão central segue sendo transformar a demanda americana em condições comerciais estáveis, especialmente após o fim da cota adicional em 30 de novembro.

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