Uma secretária de uma antiga e conhecida clínica médica no Espírito Santo está presa desde outubro de 2025 acusada de envenenar por ao menos 1 ano, o chefe, o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, um dos nomes mais respeitados da medicina.
O motivo? Tentar esconder um desvio milionário de dinheiro das contas do médico.
Segundo as investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), ele foi envenenado sistematicamente com arsênio pela secretária de confiança, Bruna Garcia. A fraude teria chegado a mais de meio milhão de reais.
Bruna trabalhava na clínica de Murad desde 2013. Ela é filha de uma antiga funcionária que trabalhou com o cardiologista por duas décadas. Ela tinha controle total sobre as finanças do médico, que não utilizava ferramentas digitais como o PIX.
“Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente”, desabafou o médico em entrevista ao Fantástico.
Vida de luxo
A investigação aponta que Bruna desviou R$ 544 mil ao longo de 12 anos. O dinheiro era usado para financiar um padrão de vida luxuoso, com viagens para a Disney e hotéis de alto padrão, enquanto o médico via seu patrimônio diminuir sem explicação.
“Quando eu fui uma vez questionar o gerente, falei: ‘Como é que pode que meu saldo não sobe?’. O gerente dizia que eu estava gastando demais. E era ela que estava tirando o dinheiro”, relata Murad.
Para o MP, o envenenamento teria começado quando os desvios ficaram prestes a ser descobertos. A intenção da secretária seria jogar uma cortina de fumaça e afastar a responsabilidade pelos crimes financeiros através da morte da vítima.
De acordo com o relato do médico à reportagem, ele apresentava sintomas graves como dores intensas e vômitos com sangue, anemia profunda e fraqueza nas pernas e agravamento dos tremores e rigidez da doença de Parkinson.
O veneno, segundo a polícia, era misturado à comida e à água de coco servidas na clínica. Devido ao mal-estar constante, Victor Murad precisou fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos.
A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito da clínica. O desafio da perícia era provar a ingestão da substância meses depois, já que o arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina.
A solução veio da análise de fios de cabelo do médico, quando apontou que Murad estava sendo envenenado a pelo menos 1 ano e 3 meses.
Bruna Garcia está presa desde outubro e deve ser levada a júri popular por tentativa de homicídio qualificado. O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações.









