O Estados Unidos e Israel realizaram, na manhã deste sábado (28), um ataque coordenado contra o Irã, com explosões registradas em Teerã e em ao menos outras quatro cidades. Segundo um oficial israelense, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi um dos alvos da ofensiva. Em resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Jordânia e Iraque também foram atingidos, em um movimento que amplia a tensão regional.
O confronto eleva o risco de uma escalada militar envolvendo múltiplos países. O Irã é apoiador de grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, que integram a aliança conhecida como “Eixo da Resistência”, que é uma aliança militar e política informal, liderada pelo Irã, que une atores no Oriente Médio contra a influência dos EUA e de Israel. Ampliando o alcance e a complexidade do conflito.
Presidente da Conib comenta escalada no Oriente Médio
Em entrevista ao iG, o presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, afirmou que a discussão sobre a legitimidade do ataque envolve aspectos jurídicos e políticos. Segundo ele, embora a ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleça princípios sobre soberania e uso da força, o que deve prevalecer é o direito à autodefesa diante de uma ameaça concreta.
“O que permanece como referência objetiva é o direito à legítima defesa diante de uma ameaça concreta e continuada”, disse. Para Lottenberg, o Irã mantém, há anos, uma postura de hostilidade aberta contra Israel, financia grupos armados e investe em capacidade nuclear. “A legitimidade não nasce do desejo de confronto, mas da necessidade de impedir que uma ameaça declarada se concretize”, afirmou.
Sobre o risco de escalada, o presidente da Conib avaliou que a tensão regional já não é apenas uma hipótese. Ele destacou que o Oriente Médio passou por mudanças nos últimos anos, citando acordos firmados entre Israel e países árabes, como os Acordos de Abraão. “O que ocorre agora não é apenas um embate bilateral. A reação em curso reflete um rearranjo mais amplo do Oriente Médio”, explicou. Apesar do risco de ampliação do conflito, ele ponderou que muitos países da região não desejam uma guerra generalizada.

Ao comentar a posição do Brasil, Lottenberg defendeu uma política externa baseada no diálogo e na democracia, mas criticou o que chamou de viés ideológico recente. Segundo ele, é preciso considerar o histórico do Irã e seu apoio a grupos classificados como terroristas por diversos países.
Sobre a possibilidade de morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, Lottenberg afirmou que uma eventual mudança na liderança poderia ter impactos profundos. “Uma ruptura no modelo atual poderia abrir espaço para uma reconfiguração institucional relevante”, disse. Ele ressaltou que, no longo prazo, isso poderia representar oportunidade de maior abertura política, embora qualquer transição traga instabilidade inicial.
Em relação às informações sobre vítimas civis, o presidente da Conib disse que prefere aguardar confirmações oficiais. “Se isso se confirmar, é algo ruim e o direito internacional deve ser aplicado com rigor. Mas já vimos situações em que informações iniciais não se confirmaram”, declarou.
Ao avaliar o papel da Organização das Nações Unidas, ele avaliou a situação com ressalvas. Segundo Lottenberg, a politização dos fóruns internacionais compromete a imparcialidade da instituição. “A ONU continua relevante como espaço de debate, mas sua capacidade prática fica limitada quando disputas ideológicas se sobrepõem aos princípios universais”, afirmou, porém, que tem dúvidas quanto à eficácia de uma mediação firme neste momento.
Lottenberg também demonstrou preocupação com possíveis reflexos no Brasil. “Momentos de alta tensão internacional frequentemente vêm acompanhados de aumento de manifestações antissemitas”, alertou. Ele reforçou que divergências políticas não podem justificar hostilidade contra comunidades judaicas e afirmou que a comunidade brasileira permanece atenta, confiante nas instituições democráticas e em diálogo com autoridades.
Por fim, o presidente da Conib avaliou que o cenário mais provável é de escalada inicial seguida por tentativas de mediação diplomática. “O desfecho dependerá muito do desgaste interno e externo das partes envolvidas”, afirmou. Para ele, qualquer solução duradoura deve priorizar estabilidade regional, respeito às liberdades individuais e convivência entre diferentes visões políticas e religiosas.

O que diz a Confederação Israelita do Brasil?
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) afirmou, em nota, que manifesta apoio a Israel e à população israelense diante das operações militares realizadas com apoio dos Estados Unidos e aliados contra o Irã.
Segundo a entidade, as ações têm como alvo o regime iraniano, classificado na nota como uma ditadura teocrática, e não o povo iraniano. A Conib também sustenta que Israel exerce o direito de se defender diante de ameaças à sua segurança e reforça solidariedade à população israelense neste momento de escalada no Oriente Médio.
A confederação acompanha os desdobramentos da crise e destaca a preocupação com a estabilidade regional.

Últimos acontecimentos
Um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28) provocou explosões em Teerã e em ao menos outras quatro cidades iranianas. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares americanas no Oriente Médio, ampliando a tensão na região.
O número de vítimas também aumentou. Subiu para 51 o total de meninas mortas após um ataque a uma escola no sul do Irã. Além disso, a agência Reuters informou que quatro pessoas morreram depois que um míssil iraniano atingiu um prédio na Síria.
No campo político e militar, há relatos não confirmados de que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pode ter sido morto em um dos ataques.
Segundo a Reuters, o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, também teriam morrido, informação baseada em fontes ligadas às operações militares de Israel, mas ainda sem confirmação oficial.
Em pronunciamento em persa, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que a ofensiva não é contra o povo iraniano, mas contra o regime, acusando-o de financiar organizações terroristas e desenvolver um programa nuclear contra Israel e a região.
Diante da escalada, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a situação no Oriente Médio. A sessão foi solicitada pela França e pelo Bahrein e está prevista para ocorrer ainda neste sábado.










