A Latam Pass está, até domingo (12), com uma promoção de boas-vindas que dá até 100 mil milhas para quem solicitar o cartão de crédito Mastercard Black e atingir a meta de gasto de R$ 75 mil nas três primeiras faturas.
O número chama atenção; e é justamente esse o objetivo. Mas o custo para chegar até ele não é trivial. Concentrar esse volume de gastos em um período curto exige planejamento (ou antecipação de despesas), e isso precisa entrar na conta antes de qualquer decisão.
Além disso, cartões de companhias aéreas pedem um nível extra de cuidado. Diferentemente de programas mais flexíveis, como Livelo e Esfera, aqui os pontos ficam presos ao ecossistema da própria companhia. Nem sempre essas milhas são as mais valiosas (ou as mais previsíveis) na hora do resgate.
No caso da Latam, o modelo de precificação dinâmica torna o uso ainda menos transparente. O valor de um trecho pode variar bastante, o que dificulta estimar, de antemão, quanto aquelas 100 mil milhas realmente representam.
Mesmo para quem já considera ter um cartão co-branded, o produto da Latam hoje fica atrás das principais alternativas do mercado.
Concorrência oferece mais benefícios
Enquanto Smiles e TudoAzul avançaram ao atrelar seus cartões a categorias de fidelidade, a Latam ainda tem um pacote menos competitivo, especialmente no segmento Mastercard Black e Visa Infinite.
No caso da Gol, cartões como o Smiles Visa Infinite concedem status Prata, que já garante benefícios práticos como bagagem gratuita em voos da companhia, antecipação de voos sem custo e acúmulo turbinado em passagens.
Já o TudoAzul Itaú Visa Infinite é ainda mais generoso com o cliente ao oferecer status Diamante automático e um pacote mais robusto: inclui bagagens adicionais, prioridade em toda a jornada, assentos com mais espaço, além de benefícios que vão além do voo, como vouchers de upgrade, possibilidade de levar acompanhante em trechos específicos, pontos que não expiram e até diárias de carro.
Isso explica por que o cartão da Latam perde competitividade mesmo quando tenta chamar atenção pelo bônus de entrada.
A diferença não está só no acúmulo, mas na experiência. Os trechos de cortesia para upgrade, por exemplo, existem, mas são difíceis de usar na prática.
O benefício perdeu ainda mais força quando a empresa decidiu colocar os portadores desse cartão como os últimos da lista para obter upgrade.
O embarque prioritário segue a mesma lógica. Em vez de ser automático, como se espera de um cartão desse nível, ainda depende de processos inconsistentes. Nem sempre o grupo correto é atribuído no check-in, o que gera frustração.
A promoção, por si só, não chega a ser ruim. Mas ela escancara um ponto mais relevante: o problema do cartão Latam Pass hoje não se resolve com bônus, até porque ele é um cartão com uma pontuação interessante (2,5 milhas por dólar gasto no Brasil e 3,5 no exterior). Mas isso não é suficiente.









