O termo “sucata” foi popularizado no Brasil depois de uma novela exibida na década de 1990, em que a protagonista construiu sua riqueza recolhendo toda a sorte de ferros-velhos. A lição dada pela Rainha da Sucata foi clara: o que parece entulho, pode ser ouro.
Tanto é verdade que a ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder global no segmento, decidiu ampliar o uso de sucata como parte de sua estratégia de zerar emissões líquidas de carbono até 2050 e assegurar maior competitividade em suas operações industriais.
A empresa quer mostrar que o uso de sucata na indústria do aço é estratégico. O material reduz a necessidade de extração de minério de ferro e carvão, diminui o consumo de energia e as emissões de CO2, além de, claro, posicionar a empresa de forma competitiva em um mercado global que exige cada vez mais produtos sustentáveis e conformidade com metas ESG. Hoje, 54% da produção de aços longos da ArcelorMittal no Brasil já ocorre via rota sucata.
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A multinacional utiliza a chamada sucata de obsolescência, que é o material oriundo de eletrodomésticos, veículos velhos, locomotivas e plataformas marítimas.
“A sucata vive um momento histórico, assumindo o papel de recurso estratégico na indústria do aço global. Mais do que um insumo, a sucata é uma das alavancas da descarbonização e da competitividade empresarial”, afirma Bernardo Rosenthal, diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal. De acordo com Rosenthal, o objetivo é preparar a empresa para um cenário onde haverá cada vez mais demanda por sucata, exigindo mais parcerias e capacidade de coleta e processamento.
A companhia assinou neste mês uma parceria com a IGAR, empresa de reciclagem do Grupo Sada, que prevê o processamento de sucata e a gestão da logística do resíduo. A IGAR é a maior recicladora integrada de automóveis do Brasil e tem capacidade para processar até 300 mil veículos por ano.
Regulamentação
A ArcelorMittal também atua junto ao poder público para fomentar um conjunto de leis e normas mais robusto em relação ao uso de sucata proveniente da obsolescência, como linha branca, do setor automotivo e naval.
Um exemplo é o Programa Mover, do governo federal, destinado a apoiar a descarbonização dos veículos brasileiros. A meta da empresa é auxiliar no processo de elaboração e definição de portarias, garantindo incentivos claros para a reciclagem veicular e criando um ambiente institucional favorável para o setor.












