A genética melhoradora pode aumentar a produção de carne por hectare e contribuir para acelerar o giro do capital na pecuária. Para medir esse efeito, o produtor precisa relacionar o volume produzido com a receita obtida, além de considerar os custos e o tempo necessário para alcançar o resultado.
Segundo Ricardo Carneiro Brumatti, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o produtor consegue mensurar esse impacto a partir do ganho de produção.
“Com certeza é possível mensurar. É só pensar em quilos a mais. No momento em que a gente coloca quilos a mais por hectare, no momento em que a gente transforma isso em reais, pensa a diferença que faz uma produção nesse sentido.”
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Como a genética pode elevar a produção por hectare
Na prática, o cálculo começa pela quantidade de carne produzida em determinada área. Quando o sistema aumenta esse volume, o pecuarista pode transformar o ganho de produtividade por hectare em uma estimativa de receita. Esse indicador permite comparar a produção obtida em uma mesma área e entender como o desempenho dos animais interfere no resultado do sistema.
Além do volume produzido, o produtor precisa observar o período necessário para alcançar essa produção. Animais com maior capacidade produtiva podem apresentar melhor desempenho e atingir determinado peso em menos tempo, dependendo das condições de manejo, nutrição, sanidade e ambiente.
Por isso, a avaliação da genética na pecuária não deve considerar somente o peso final dos animais. O tempo utilizado para alcançar esse resultado também interfere na análise, já que a combinação entre produtividade e duração do ciclo ajuda o pecuarista a entender como o desempenho pode afetar o uso do capital.
“Isso é o efeito claro da escala de produção: ou você gira o seu dinheiro mais rápido, você gira a sua produtividade mais rápida, você automatiza o seu sistema.”
O que entra na conta do resultado econômico
O aumento da produção, por si só, não determina a rentabilidade da fazenda. Para avaliar o resultado econômico, o pecuarista também precisa considerar custos de alimentação, manejo, sanidade, aquisição dos animais, preço de venda e duração do ciclo produtivo.
Esses fatores podem alterar o resultado final de uma estratégia de melhoramento genético. Por essa razão, o ganho de quilos por hectare precisa entrar em uma análise mais ampla, que considere tanto o investimento realizado quanto a receita obtida com a produção.
O produtor pode calcular quanto custa produzir cada quilo de carne e, depois, relacionar esse valor ao preço recebido pela produção. Essa comparação ajuda a identificar se o aumento de produtividade também melhora o resultado econômico do sistema.
Ainda assim, a genética não garante, sozinha, maior rentabilidade. O resultado depende das condições de produção e das decisões tomadas ao longo do ciclo. Por isso, o produtor precisa avaliar o desempenho dos animais junto com os demais indicadores econômicos da fazenda.
Dessa forma, a seleção genética pode ser analisada não apenas pela qualidade dos animais, mas também pela capacidade de aumentar a produção dentro da mesma área e pelo tempo necessário para transformar esse desempenho em receita.
Para o pecuarista, essa avaliação ajuda a comparar diferentes sistemas de produção e a identificar quanto custa produzir cada quilo de carne. Assim, genética, produtividade e gestão econômica passam a fazer parte da mesma análise.
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