As exportações brasileiras de carne bovina registraram redução no volume embarcado em outubro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em contrapartida, o preço médio da tonelada avançou, enquanto o ritmo diário das vendas externas apresentou melhora em relação a setembro.
De acordo com levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 154,50 mil toneladas de carne bovina in natura até a quarta semana de outubro. A média diária alcançou 9,66 mil toneladas, uma queda de 33,72% em relação a outubro de 2025.
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Apesar da retração anual, o ritmo dos embarques avançou 4,05% em relação a setembro. O resultado indica uma recuperação mensal, embora ainda permaneça abaixo do desempenho registrado no ano passado.
Preço médio da tonelada avança
Enquanto o volume exportado diminuiu, o preço médio da carne bovina brasileira chegou a US$ 6.284,31 por tonelada até a quarta semana de outubro. O valor representa uma alta de 13,46% em relação ao mesmo período de 2025, quando o produto alcançou US$ 5.538,67 por tonelada.
A receita acumulada somou US$ 970,95 milhões, com média diária de US$ 60,68 milhões. Ainda assim, o faturamento médio diário recuou 24,80% na comparação anual.
Dessa forma, a valorização do produto ajudou a amenizar o impacto da redução dos embarques sobre a receita, mas não compensou integralmente a queda nas vendas externas.
China influencia os embarques brasileiros
A menor participação da China nas compras brasileiras também contribuiu para o desempenho de outubro. Segundo a análise do Imea, o esgotamento da cota de salvaguarda estabelecida pelo governo chinês influenciou o fluxo comercial entre os dois países.
A medida, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, estabeleceu uma cota anual de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira. Os volumes que ultrapassarem esse limite ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%.
A China é um dos principais destinos da produção nacional. Em 2024, o país respondeu por 52% das vendas externas do setor, conforme informações do governo federal.
Nesse contexto, as restrições comerciais reforçam a importância da diversificação dos mercados compradores. A ampliação dos destinos pode reduzir a dependência de grandes parceiros comerciais e abrir novas oportunidades para a pecuária brasileira.
Imea projeta queda de 36,73% em outubro
Com base nos dados disponíveis até a quarta semana, o Imea estimou que os embarques poderiam alcançar 202,79 mil toneladas no fechamento do mês. A projeção considerou a manutenção da média diária observada nos cinco dias úteis restantes daquele período.
Caso se confirme, o resultado representará uma redução de 36,73% em relação a outubro de 2025.
Além da menor participação chinesa, a comparação com o ano passado também influencia esse percentual. Em outubro de 2025, o Brasil registrou um volume recorde de embarques para o mês, elevando a base de comparação.
Assim, a retração projetada precisa ser analisada considerando as condições comerciais do mercado chinês e o desempenho excepcional do ano anterior. Os dados definitivos de outubro permitirão dimensionar melhor o comportamento das vendas externas e seus reflexos sobre o setor pecuário.
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