Com a chegada de outubro e o início de mais uma estação reprodutiva, a genética Angus nacional ganha espaço entre os pecuaristas que utilizam a raça no cruzamento industrial. Segundo Luís Adriano Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), a participação da genética produzida no Brasil passou de um patamar histórico de 25% para mais de 40% das vendas totais da raça no país.
De acordo com Teixeira, das cerca de 6 milhões de doses de sêmen de Aberdeen Angus e Red Angus comercializadas no mercado brasileiro em 2025, a produção em solo nacional ultrapassou 2,6 milhões de doses.
A ASBIA mantém o Index ASBIA e o Anuário ASBIA de Genética Bovina, que reúnem dados do mercado de inseminação artificial. A entidade apresenta informações sobre produção e comercialização de sêmen, além de dados de importação e exportação.
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Fertilidade pesa na escolha
O avanço da produção nacional também acompanha a avaliação dos resultados obtidos no campo. Luís Felipe Cassol, presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Angus, afirma que o material produzido no país alcançou um nível de qualidade capaz de competir com o produto importado.
“O sêmen produzido hoje no país apresenta qualidade equivalente ou superior ao importado”, destaca Cassol.
Para ele, o principal fator de decisão de compra é a taxa de prenhez gerada em protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).
A IATF permite programar a inseminação das fêmeas em um período determinado, o que facilita a organização do manejo reprodutivo. Por esse motivo, o desempenho das doses utilizadas pode ter impacto direto sobre o aproveitamento da estação.
Os criadores também observam a adaptação dos reprodutores às condições de cada sistema de produção. Características produtivas, desempenho dos descendentes e objetivo do rebanho entram nessa avaliação.
Produção nacional ganha participação
Para Teixeira, a evolução da participação brasileira mostra uma mudança no perfil do mercado.
“O sêmen produzido no Brasil como um todo subir de um quarto para mais de 40% mostra que realmente não existe mais preconceito com a genética produzida aqui”, afirma Teixeira.
O presidente da ASBIA ressalta que os números da entidade levam em conta a genética de touros nascidos no Brasil e também de animais importados que passaram a produzir suas doses no país.
Essa informação é importante para interpretar os dados. A participação atribuída à produção nacional não corresponde exclusivamente a animais que nasceram no Brasil. O levantamento também considera touros importados que passaram a produzir sêmen em território brasileiro.
Teixeira acrescenta que a produção local atua como estratégia de mitigação de riscos geopolíticos, tarifários e de logística de importação.
Touros nacionais concentram vendas
A preferência por touros adaptados, rústicos e de alto desempenho também aparece nos volumes de doses comercializadas. Segundo a fonte original, o mercado tem buscado animais capazes de contribuir para bezerros mais pesados, novilhas precoces e bons índices de prenhez.
Entre os reprodutores nacionais destacados estão River, da Cia. Azul Agropecuária, de Uruguaiana (RS), e Barragem, da Cabanha da Barragem, de Quaraí (RS), com cerca de 190 mil doses comercializadas cada um.
Na faixa de mais de 150 mil doses aparecem Cruzeiro, da Cia. Azul Agropecuária, de Uruguaiana (RS), Guapo, da Estância Tradição, de Santa Vitória do Palmar (RS), e Apetrecho, da Cabanha David Angus, de Santiago (RS).
Density, da Estância Tradição Azul, de Quaraí (RS), e S2 Prime, da Agropecuária HJ, de Campo Bom (RS), ultrapassaram 140 mil doses cada.
Também passaram de 100 mil doses Tomahawk, da Guarita Agropecuária, e Soberano, da AgroneMitz, ambas de Alegrete (RS).
Os volumes apresentados na fonte ajudam a dimensionar a procura por determinados reprodutores. Ainda assim, eles não representam todo o mercado de genética Angus no país.
Cruzamento industrial mantém demanda
A expansão da genética bovina acompanha a utilização do cruzamento industrial na pecuária de corte brasileira. Nesse sistema, o produtor combina diferentes grupos genéticos de acordo com o ambiente, o sistema de produção e o objetivo comercial do rebanho.
Por isso, a escolha do touro não depende apenas da raça. Informações de avaliação genética, facilidade de parto, desempenho dos descendentes, adaptação e características produtivas também podem pesar na decisão.
Segundo Luís Felipe Cassol, entre 70% e 80% do mercado do Brasil Central e Norte é atendido por empresas especializadas em reprodução que cobram por taxa de prenhez.
Nesse modelo, o desempenho reprodutivo do sêmen ganha peso na rentabilidade, já que o resultado obtido no campo está diretamente relacionado ao serviço contratado.
Custo e produção local
Cassol também destaca a competitividade dos custos de produção de sêmen no Brasil em comparação com o mercado internacional.
“Outro ponto atrativo da genética nacional, ainda segundo ele, é a alta competitividade nos custos de produção de sêmen no Brasil frente ao mercado internacional.”
A produção local pode, ainda, reduzir a exposição do mercado às dificuldades relacionadas à importação. Segundo Teixeira, esse movimento funciona como estratégia de mitigação de riscos geopolíticos, tarifários e logísticos.
Ao mesmo tempo, a genética importada continua presente no mercado brasileiro. A escolha entre diferentes materiais depende das características buscadas pelo pecuarista e das condições de cada sistema de produção.
Com a abertura da estação reprodutiva, a reprodução Angus volta a ganhar espaço nas decisões dos criadores. Nesse cenário, fertilidade, adaptação, desempenho e custo dividem espaço com a origem do material genético.
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