O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em sua primeira declaração após a confirmação de sua vitória nas urnas, fez críticas a seu adversário derrotado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que o resultado representa uma derrota do negacionismo e da mentira. No seu discurso de vitória, na noite deste domingo (25), Lula prometeu mudar a forma de governar, ampliar a participação popular nas decisões e dar mais espaço à comunicação digital em seu próximo mandato.
“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira”, declarou Lula, ao criticar a atuação de seu adversário durante a campanha.
O presidente reeleito disse ter ficado constrangido com os debates eleitorais.
“Eu nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, tanta desfaçatez como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo. Parece tudo falso”, afirmou.
Lula também defendeu que os crimes cometidos no ambiente digital sejam tratados com o mesmo rigor daqueles praticados fora da internet. Segundo ele, empresas de tecnologia não podem usar seu poder econômico para influenciar o resultado das eleições sem pagar impostos no país.
“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, disse.
Nova forma de governar
O presidente releito afirmou que as lições da campanha vão influenciar a condução do próximo governo. Ele prometeu ampliar o diálogo direto com a população e disse que pretende usar as plataformas digitais para se comunicar com os brasileiros sem depender exclusivamente da interpretação de jornalistas.
A comunicação digital, segundo Lula, terá espaço ampliado na próxima gestão. “Daqui pra frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia diretamente. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, afirmou.
Lula também disse que uma das motivações para disputar a eleição foi impedir a privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), em referência às propostas atribuídas ao grupo político adversário.
Educação, tecnologia e desenvolvimento
Na área da educação, Lula prometeu universalizar as escolas de tempo integral até o ensino médio e ampliar o programa Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes na escola. Essas foram algumas da propostas defendidas por ele na campanha eleitoral.
O presidente reeleito também reafirmou a intenção de criar uma versão universitária do programa para evitar que jovens abandonem os estudos para trabalhar.
“Nós iremos universalizar o Pé-de-Meia para o ensino médio e vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem, nenhuma menina desistam de estudar porque tem que trabalhar”, afirmou.
Lula também defendeu o fortalecimento da formação em matemática e engenharia e disse que pretende ampliar a capacidade brasileira de desenvolver tecnologias próprias, especialmente em inteligência artificial.
“Eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana. Eu quero criar uma brasileira”, declarou.

Lula ainda mencionou investimentos em economia digital, economia verde e economia criativa, além da atração de centros de processamento de dados para o país. Segundo ele, o Brasil deve aproveitar seu potencial de energia renovável para ampliar a presença no setor tecnológico.
E defendeu que o Brasil deixe de ocupar uma posição periférica nas decisões internacionais. “Nós queremos ser um país central nas decisões políticas, econômicas e na decisão pela paz”, afirmou.
Segurança pública será prioridade
Lula afirmou que o governo federal terá uma atuação mais efetiva na segurança pública, área cuja responsabilidade é atribuída principalmente aos estados pela Constituição de 1988.
“Agora está provado que os estados não dão conta. Nós vamos entrar agora pra devolver às mulheres, aos homens, aos trabalhadores, a tranquilidade, a paz que eles precisam”, declarou.
O presidente ainda prometeu reforçar a proteção à população e resumiu sua proposta com uma frase de impacto: “Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”.
Na área da saúde, Lula reafirmou o compromisso de fortalecer o SUS e citou planos de ampliar o tratamento contra o câncer e investir em hospitais inteligentes e unidades de terapia intensiva.
O presidente destacou a redução do desmatamento e agradeceu à ministra Marina Silva e a outros integrantes do governo pelo trabalho ambiental.
Governar para todos
Ao comentar o resultado eleitoral, Lula afirmou que pretende governar para todos os brasileiros, independentemente do voto dado nas urnas. Ele também defendeu o respeito às diferentes religiões e a liberdade de crença.
“Na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar pra 215 milhões, tenho que governar pra todas as cidades”, disse.
Sobre a relação com o Congresso Nacional, que terá uma composição mais conservadora, Lula afirmou que pretende negociar e trabalhar com os parlamentares eleitos pela população.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, que é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou, acrescentando que vai dar atenção especial às políticas públicas para idosos e mulheres, além de garantir o respeito às religiões em igualdade de condições.
“Vou fazer o melhor mandato da história desse país”
Ao final do discurso, Lula assumiu o compromisso de fazer o que classificou como o melhor mandato presidencial da história brasileira. O presidente reeleito, que completará 81 anos nesta terça-feira (27), afirmou que pretende dedicar-se integralmente ao governo.
“Vou dedicar 24 horas por dia pra fazer desse país o país que todo mundo sonha, um país em que as pessoas saibam que vão dormir e vão acordar com muita tranquilidade”, afirmou.
Lula também agradeceu aos eleitores pelo apoio e atribuiu a vitória à defesa da democracia, do nacionalismo e da soberania brasileira.
“Não fui eu que ganhei essas eleições. Essas eleições foi a honradez, o nacionalismo, a democracia e o futuro que vocês querem pra vocês que fez a gente virar”, declarou.
Lula disse ainda que pretende se reunir com representantes do empresariado, da educação, da ciência e de movimentos de mulheres para discutir os rumos do próximo governo.
No final, fez um agradecimento especial do deputado federal André Janones, pela mobilização nas redes sociais. Janones foi o criador do grupo de WhatsApp Exército do Lula, que reuniu mais de 10 milhões de seguidores.
Alckmin diz que Lula salvou a democracia pela segunda vez
Antes de Lula, o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin (PSB) agradeceu aos brasileiros pela vitória e destacou a participação de jovens, mulheres e idosos no processo eleitoral.
“Presidente, é gratidão. Gratidão ao povo brasileiro, povo generoso, povo animado. Gratidão à juventude”, afirmou Alckmin, ao lembrar que 25 de outubro é o Dia Nacional da Juventude.
O vice-presidente reeleito também elogiou a participação das mulheres e dos idosos, que, segundo ele, fizeram a diferença na votação. Ao se dirigir a Lula, Alckmin afirmou que o presidente eleito teve papel decisivo na defesa do regime democrático brasileiro.
“Presidente, ao senhor, meu profundo respeito. O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira”, concluiu Alckmin.








