Na música eletrônica, a imagem deixou de ser apenas um complemento do som. Figurinos, acessórios e styling passaram a ajudar na construção de personagens, atmosferas e experiências visuais capazes de tornar um artista reconhecível antes mesmo da primeira batida. Em um cenário cada vez mais competitivo, vestir-se para o palco também se tornou parte da performance, da memória do público e da narrativa que acompanha cada lançamento.
Esse movimento também ampliou as possibilidades da moda masculina de palco. Brilho, transparência, alfaiataria, couro, paetês, sportswear e silhuetas marcadas passaram a conviver dentro do mesmo guarda-roupa, rompendo com a ideia de que o visual de um homem precisa ser discreto, funcional ou previsível. Mais do que apagar fronteiras, essa combinação cria presença, teatralidade e contraste, permitindo que força, glamour, sensualidade e futurismo apareçam juntos.
Na música eletrônica, essa liberdade ganha ainda mais potência porque o DJ ocupa um palco cercado por luz, telões, efeitos e imagens em movimento. A roupa precisa sobreviver a esse excesso e, muitas vezes, dialogar com ele. Por isso, ombros marcados, cristais, volumes, acessórios e peças de impacto deixam de ser apenas escolhas estéticas e passam a funcionar como ferramentas de reconhecimento. Antes mesmo de o público identificar a faixa, ele já reconhece uma silhueta, uma textura ou um personagem.
É o caso do DJ e produtor musical JESTFLY, que transformou essa mistura de referências em eixo central da própria imagem. Seu guarda-roupa de cena combina alfaiataria geométrica, couro, sportswear, cristais, cartolas, óculos futuristas e peças de forte presença visual para criar uma figura que foge da leitura tradicional da moda masculina. “Eu nunca quis construir uma imagem previsível. Gosto justamente do contraste entre força, glamour, brilho e elementos esportivos”, afirma. Mais do que alternar entre estilos, ele usa esses códigos para criar teatralidade e reconhecimento, fazendo do figurino uma extensão direta da música e do universo apresentado nos clipes e no palco.
JESTFLY abriu o próprio closet e apresentou algumas das peças que estruturam essa identidade. De um lado, aparecem jaquetas esportivas ligadas ao basquete e ao streetwear, usadas para construir uma imagem mais urbana e descontraída. Do outro, blazers de paetês, animal print, couro, cristais, cartolas e calças bordadas assumem a versão noturna do personagem. “Eu costumo dizer que existe um visual do dia, mais colorido, fashion e esportivo, e outro para a noite, para os shows e para os clipes, mais glamouroso. Fui garimpando as peças até perceber que essas duas linguagens poderiam existir dentro do mesmo universo”, afirma.
A construção desse acervo exigiu pesquisa, customizações e ajuda profissional. Segundo o artista, o investimento acumulado já ultrapassa R$ 400 mil entre roupas, acessórios, calçados e styling. Algumas produções reúnem blazers da Philipp Plein, peças cravejadas à mão com cristais Swarovski, calçados que podem chegar a R$ 20 mil e cartolas de couro feitas sob encomenda. “Eu não queria simplesmente reunir roupas caras. Precisava de pessoas que entendessem a imagem que eu buscava e me ajudassem a transformar referências em looks com função dentro do projeto. Quando olho para esse closet, vejo as diferentes fases visuais do JESTFLY”, completa.
Entre as peças de maior impacto está uma produção da Philipp Plein que, segundo o DJ, ultrapassa R$ 100 mil. O blazer custa entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. A camiseta, cravejada à mão com cristais Swarovski, chega a aproximadamente R$ 12 mil. A calça, também trabalhada manualmente, varia entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, enquanto o tênis ou sapato pode chegar a R$ 20 mil. A composição é finalizada por uma cartola de couro legítimo feita sob encomenda, avaliada em cerca de R$ 10 mil.
Para JESTFLY, o valor só faz sentido quando a roupa ajuda a sustentar a experiência visual. A Philipp Plein, segundo ele, foi a marca que melhor traduziu o glamour que desejava imprimir não apenas em sua imagem, mas em todo o projeto. “O que me chamou atenção foi o excesso bem construído, o brilho, a presença e a exclusividade. São peças lançadas em quantidades muito pequenas, o que faz com que cada look tenha uma força quase única. Não é sobre vestir uma grife por vestir. É sobre encontrar uma linguagem que converse com tudo o que está ao redor”, explica.
A cartola cria uma conexão direta com sua trajetória anterior no rock, enquanto os óculos futuristas, os cristais e as modelagens dramáticas apontam para a fase eletrônica. Já as jaquetas esportivas reforçam o lado urbano e cotidiano do personagem. Ao reunir essas referências, o artista transforma o closet em um mapa visual de diferentes momentos da própria carreira. “Eu não estou apenas me vestindo para tocar. Estou vestindo um universo. Já investi mais de R$ 400 mil nessa construção porque acredito que a música precisa ser ouvida, mas também precisa ser vista. Não é sobre roupa sem gênero. É sobre glamour sem medo”, conclui JESTFLY.










