O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, afirmou que os produtores de leite enfrentam uma “crise profunda e injusta” com a importação desleal de leite em pó.
O Brasil é um gigante na produção de leite. Somos o quarto maior produtor mundial, com mais de um milhão de produtores rurais espalhados pelo país. Destes, mais de 80% são pequenos produtores familiares, aqueles que acordam antes do sol nascer, ordenham vacas com as próprias mãos e sustentam comunidades inteiras no interior. São eles que colocam leite na mesa de milhões de brasileiros todos os dias.
Mas hoje esses heróis do campo vivem uma crise profunda e injusta.
Em agosto de 2025, o litro de leite era pago ao produtor a R$ 2,77. Três meses depois, relatos de diversas regiões apontam valores próximos a R$ 1,60 – um tombo de quase 42%. Um preço que não cobre nem os custos de produção. Ração, energia, mão de obra, medicamentos… tudo subiu. O leite, desabou.
A causa? Importação desleal de leite em pó, principalmente da Argentina e do Uruguai. Produtos que entram no Brasil com preços artificialmente baixos, subsidiados ou beneficiados por câmbio favorável, derrubando o mercado interno e deixando o produtor brasileiro sem margem para sobreviver.
O resultado é devastador:
- Perda brutal de renda no campo;
- Propriedades ameaçadas de falência;
- Famílias desamparadas;
- Risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite.
Se nada for feito, teremos fazendas fechando, vacas sendo vendidas para o abate e um vazio que será preenchido por produtos importados. O Brasil, que sempre se orgulhou de sua soberania alimentar, poderá se tornar dependente de leite estrangeiro. E quem paga a conta? O consumidor, com preços voláteis no futuro, e o país, com empregos e desenvolvimento rural perdidos.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não ficou de braços cruzados. Em agosto de 2024, protocolou pedido de investigação de direitos antidumping contra Argentina e Uruguai. A expectativa era clara: proteger o produtor brasileiro de práticas comerciais predatórias.
A resposta do governo, porém, foi um balde de água fria. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mudou o entendimento técnico e negou o pedido. A CNA imediatamente solicitou reconsideração, mas o tempo corre contra o pequeno produtor.
Agora é hora de agir com responsabilidade e sensibilidade.
Ministro Geraldo Alckmin, o senhor tem em mãos a chance de corrigir um erro histórico. Acatar as medidas defendidas pela CNA não é protecionismo – é justiça. É combater práticas ilegais de comércio que destroem vidas no campo. É garantir que o Brasil continue produzindo seu próprio leite, com qualidade, segurança e orgulho nacional.
Se o governo não agir, o cenário é sombrio:
- Pequenos produtores endividados e abandonados;
- Queda acentuada na produção nacional;
- Dependência de importações que, um dia, podem faltar ou custar muito mais caro.
O leite não é só um produto. É emprego, é cultura, é comida na mesa do brasileiro. Proteger o produtor de leite é proteger o Brasil rural.
Chegou a hora de escolher de que lado o governo está: do pequeno produtor brasileiro ou da importação desleal.
Nós, da Wandeko Web Rádio, estamos ao lado do campo. E você?
Por: Editorial Agronegócios – Wandeko Web Rádio










