O senador Fabiano Contarato (PT), presidente da CPI do Crime Organizado, solicitou, nesta quinta-feira (12), a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag, e de seu fundador e ex-presidente, João Carlos Falbo Mansur. Empresa foi ligada ao Banco Master na Operação Compliance Zero.
O objetivo é apurar o crescimento incomum da empresa, que saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em ativos em apenas cinco anos, e verificar se sua estrutura foi utilizada para lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A medida ocorre após a instituição sofrer uma interrupção forçada de suas atividades pelo Banco Central devido a irregularidades.
Além da quebra de sigilos, a CPI pediu ao Banco Central acesso a todo o processo administrativo que resultou na punição da empresa, incluindo pareceres técnicos, notas internas, autos de supervisão e comunicações encaminhadas a órgãos de controle e persecução penal, solicitado diretamente ao presidente do BC, Gabriel Galípolo.
O senador Contarato também solicitou a convocação de João Carlos Mansur para prestar depoimento à comissão, para explicar as razões técnicas que levaram ao fechamento da instituição e esclarecer práticas operacionais, mecanismos de governança e eventuais lacunas que possam ter permitido o crescimento patrimonial atípico da empresa.
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Quebra de sigilo telemático
O pedido da CPI envolve não apenas dados bancários e fiscais, mas também registros de ligações telefônicas e informações de plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp, Google, Telegram, Apple, Twitter e TikTok.
Entre os dados requisitados estão mensagens, contatos, histórico de localização, fotos, vídeos, arquivos armazenados e logs de acesso, realizados entre 2020 e 2025, permitindo à comissão mapear a coordenação entre a gestão de ativos da Reag e possíveis operações de ocultação de patrimônio.
Segundo a CPI, a extensão da investigação aos sigilos telefônico e telemático é necessária devido à complexidade do crime organizado e à sofisticação das operações financeiras, uma vez que grupos criminosos utilizam tecnologias de criptografia e aplicativos de mensagens para gerir ativos, destacando a importância de identificar eventuais vínculos com facções criminosas como o PCC.
Justificativa
Em agosto do ano passado, a Reag foi alvo da operação Carbono Oculto, que apurou um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo integrantes do PCC.
A Polícia Federal também aponta, na operação Compliance Zero, que a gestora foi utilizada para o desvio de valores do Banco Master, no esquema de fraudes financeiras estimado em mais de R$ 12 bilhões, com fundos usados para aumentar artificialmente o valor do Banco Master e ocultar prejuízos por meio de transações bilionárias.
Contarato destacou que apenas o cruzamento de dados financeiros e comunicações permitirá entender como estruturas formais do mercado de capitais podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.
A comissão pretende analisar se a Reag foi instrumento de engenharia financeira para atividades ilícitas e se as medidas de compliance internas foram eficazes.
“A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo que continua nos surpreendendo e horrorizando pela gravidade dos fatos revelados”, afirmou Contarato.










