Com a desmontagem dos pavilhões e negociações a portas fechadas, a COP30 caminha para o fim sob forte expectativa.
Entre impasses e pressões, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a ministra Marina Silva seguem em reuniões fechadas tentando construir consenso para o texto final.
Especialistas do Instituto Talanoa afirmaram ao iG que o texto do “Mutirão” apresentado pela presidência brasileira deixa lacunas importantes.
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Segundo a presidente do Talanoa, Natalie Unterstell, o documento cria “salas de espera” para temas centrais como transição, financiamento e adaptação, sem definir responsabilidades ou prazos. O compromisso de triplicar o financiamento para adaptação até 2030 é visto como vago e sem base clara. Ela também critica o silêncio total sobre combustíveis fósseis, o que, afirma, “nos destina a mais de 2°C de aquecimento”.
Na agenda de adaptação, Daniel Porcel aponta avanços com a nova proposta do GGA (Objetivo Global de Adaptação, na tradução livre), como a lista revisada de indicadores e o processo Belém–Addis para harmonizar políticas. Porém, a nova meta de financiamento permanece indefinida e deslocada para o texto do Mutirão, ainda considerado fraco.
Para o especialista Benjamin Abraham, o pacote financeiro não avança o suficiente: carece de clareza sobre o NCQG (Nova Meta Quantificada Global de Finanças, na tradução livre), sobre o triplo da adaptação e sobre o realinhamento dos fluxos financeiros. A falta de precisão, afirma, pode travar ambição em outras áreas.
Já Caio Victor Vieira destaca perdas no Programa de Trabalho de Transição Justa, que retirou qualquer referência a abandono dos fósseis. O texto delega às Contribuições Nacionalmente Determinadas a definição das transições e adia discussões de conteúdo para 2025. No Balanço Global, o foco passa a ser financiamento, capacidades e tecnologia, sem recuperar a linguagem de transição para longe dos fósseis.











