A entrevista de hoje é com uma dona de boate que tem uma personalidade fortíssima. Aos 35 anos, ela já é dona de uma boate em Jundiaí, de nome Alpha Club, onde estão algumas das mais selecionadas garotas de programa de toda a região.
São Paulo teve, no passado, uma icônica dona de boate de nome Laura Garcia, que comandava o La Licorne e tinha a frequência e a amizade de grandes políticos de todo o país e até de um grande humorista que ia até lá de moto. No interior, tivemos um resort em Bauru conhecido como Casa da Eni, onde também uma mulher comandava todo um resort com garotas de programa.
Agora, temos uma mulher comandando uma boate em Jundiaí há sete anos, onde a frequência tem de tudo, de casais a homens solteiros e garotas de programa. O nome dessa mulher é Duda Labellecqua, e a entrevista abaixo vai encantar vocês.
1. Você criou um perfil no Instagram em que responde a perguntas de todos os tipos. Qual foi a pergunta mais difícil de responder?
Não tenho nenhuma dificuldade em responder a perguntas sobre sexo, porque não o enxergo como pecado. Acredito que os sete pecados capitais foram usados pela Igreja como instrumentos de doutrinação pelo medo — principalmente o medo de experimentar tudo aquilo que proporciona prazer.
As perguntas mais difíceis são aquelas em que um homem tenta atacar minha integridade e me coloca na posição de ter que provar o meu valor. Esse tipo de questionamento é extremamente cansativo. Eu sei quem sou e não preciso provar nada a ninguém, mas acredito que essa cobrança constante seja exaustiva para todas as mulheres.
2. O que é poder para você?
Poder, para mim, é liberdade: poder fazer o que eu quiser sem viver preocupada com a opinião alheia. Essa liberdade tem um preço, e eu estou disposta a pagá-lo. Eu me sinto poderosa sendo empresária em um ramo dominado por homens e conseguindo conduzir tudo com profissionalismo, apesar dos ataques e da represália dos haters. No fundo, tenho certeza de que os homens amam mulheres poderosas — alguns apenas não têm coragem de admitir.
3. Na sua opinião, o que faz um casal permanecer unido por 50 anos?
Na minha visão, existem duas maneiras de um casamento durar 50 anos. Na primeira, a mulher se torna completamente submissa ao homem: silencia diante das próprias dores, suporta traições, frustrações e renuncia a si mesma para preservar um casamento que, muitas vezes, existe apenas de fachada.
Na segunda, a dinâmica se inverte: o homem se entrega à liderança de uma mulher dominadora. Ela tem a primeira e a última palavra, enquanto ele cuida da casa, cozinha, lava, passa e vive para servir e agradar sua amada.
Particularmente, não acredito em uma terceira possibilidade sustentada apenas por amor e respeito durante cinco décadas. Essa é a minha percepção sobre os relacionamentos, construída a partir do que observo — não uma verdade absoluta.
4. Você sabe quanto gastou o maior cliente da sua boate?
Sim. O maior cliente chegou a gastar quase R$ 40 mil em uma única noite. Para algumas pessoas, pode parecer absurdo, mas o mercado do entretenimento adulto movimenta valores muito altos. Quem busca uma experiência exclusiva está disposto a pagar por ela.
5. O que faz um homem querer se casar com uma mulher atualmente?
Assim como na resposta anterior, acredito que o homem que reproduz aquele discurso cristão e conservador costuma procurar uma “dama semivirgem” para se casar, porque precisa sustentar a imagem da tradição católica. Para mim, grande parte dos homens vive essa hipocrisia: exige pureza da mulher que apresenta à sociedade, enquanto esconde desejos e fetiches que não teria coragem de assumir publicamente.
Eu não acredito que sejamos verdadeiramente atraídos pela perfeição. Nossos desejos também nascem das nossas estranhezas, das imperfeições e daquilo que ninguém pode saber. Por isso, acredito que os casais mais desconstruídos tenham as melhores parcerias: eles se escolhem conhecendo as sombras um do outro, não apesar delas.
E, para um casamento ser duradouro, acredito que a mulher precisa ser inteligente, sábia e ocupar o poder dentro da relação. Afinal, uma mulher sábia edifica o seu lar.
6. Que tipo de homem vai a uma boate para sair com uma profissional do sexo?
Muitos homens procuram uma profissional do sexo quando precisam reafirmar a própria masculinidade. Ao sentirem que o poder está escapando de suas mãos, buscam validação externa: querem demonstrar o quanto são ricos, desejados, importantes e bem-sucedidos. Procuram uma companhia diante da qual possam exibir e narrar a própria grandeza.
Existe também uma razão mais profunda. Todos nós carregamos um lado obscuro que nem sempre temos coragem de revelar aos nossos parceiros ou à sociedade. Nesse sentido, a boate se torna um espaço onde o homem pode explorar seus desejos, realizar fantasias e acessar aquilo que guarda no íntimo, mas não consegue assumir publicamente.
7. Você pretende se casar um dia?
É engraçado você me fazer essa pergunta, porque eu devo grande parte do meu sucesso empresarial justamente a um casamento no qual eu era a parte submissa e me calava diante de determinadas atitudes. Até o dia em que descobri que meu marido era viciado em garotas de programa.
Depois de chorar, levantei a cabeça e pensei: “Como boa capricorniana, eu preciso transformar essa dor em alguma coisa.” Eu não poderia ser garota de programa, porque tinha dois filhos e pertencia a uma família tradicional da cidade — mas poderia abrir um cabaré e ganhar dinheiro com homens como ele.
Olhei nos olhos dele e disse: “Um dia eu vou ficar muito rica. Quando esse dia chegar, eu vou decidir se perdoo você ou não.”
Quatro anos se passaram. Depois de muito suor e muitas lágrimas, conquistei meu sucesso profissional. Ainda casada, olhei novamente nos olhos dele e perguntei: “Lembra quando eu disse que ficaria muito rica e então decidiria se perdoaria você? Pois eu não perdoo. Estou saindo de casa.”
Naquele momento, pensei que ninguém jamais desejaria se casar comigo. Afinal, eu era dona de um bordel e minha fama me precedia. Na mentalidade machista, uma mulher pode até comandar um cabaré, mas jamais poderia ser considerada uma esposa decente.
Mas, para surpresa de muitos, conheci alguém tão caótico quanto eu. Dentro das nossas imperfeições, construímos uma família incrível. Hoje, ele é meu parceiro em tudo, inclusive nos negócios, e eu já não consigo imaginar minha vida sem ele. Estamos juntos há um ano e meio e, sinceramente, não acredito que exista outro casal tão completo quanto nós dois. Nós nos chamamos de Bonnie e Clyde — com direito a risadas, caos e cumplicidade.











