MENU

Como Paulo Maluf chegou ao governo de SP

walmir-banner01
Shadow
Paulo Maluf, político brasileiroGustavo Lima/ Câmara dos Deputados

O caso aconteceu em 1978, quando foi realizada uma eleição indireta para escolher o governador do Estado de São Paulo. Na época, durante o regime militar, os governadores eram eleitos indiretamente, e o partido governista, a Arena (Aliança Renovadora Nacional), reunia os representantes políticos responsáveis pela votação.

Tradicionalmente, havia um único candidato apoiado pela cúpula do partido e pelos militares, e a escolha costumava seguir a orientação das principais lideranças do regime.

Mas Paulo Maluf decidiu mudar esse roteiro sem precisar alterar as regras eleitorais.

O nome indicado para assumir o governo paulista era o de Laudo Natel, que contava com o apoio de importantes lideranças militares. Maluf, porém, resolveu se inscrever como candidato da Arena para disputar a eleição contra o nome preferido dos generais.

A princípio, os militares teriam encarado a iniciativa com descrença, convencidos de que os delegados votariam no candidato escolhido pela cúpula do regime.

Laudo Natel, por sua vez, não teria percorrido pessoalmente o estado para pedir votos aos delegados. Maluf adotou uma estratégia diferente: decidiu visitar cada um deles, em suas respectivas cidades, para conversar e conhecer suas demandas.

Segundo esse relato, Maluf teria usado recursos próprios, provenientes da fortuna de sua família, para custear as viagens e ajudar a resolver questões pessoais dos delegados, sem recorrer a verbas do governo. Sua mãe, que era muito rica, desejava vê-lo no comando do governo paulista.

Chegou, então, o dia da eleição, realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A votação era secreta, feita em cédulas de papel, depositadas em uma única urna.

Durante a apuração informal dos votos, os aliados dos militares teriam percebido que Maluf estava conquistando apoio suficiente para vencer. A situação teria provocado uma grande tensão nos bastidores.

De acordo com o relato, em determinado momento, as luzes da Assembleia se apagaram, provocando confusão. Foi então que um aliado de Maluf, o deputado Antonio Salim Curiati, teria se lançado sobre a urna para impedir que alguém interferisse na votação.

A urna foi colocada em um carro da polícia e levada para um local seguro, enquanto Curiati teria permanecido ao lado dela para garantir a preservação dos votos.

No dia seguinte, os votos foram contados e Paulo Maluf foi declarado vencedor da eleição indireta, tornando-se governador do Estado de São Paulo, em uma vitória que contrariou as expectativas de parte da cúpula militar.

Antonio Salim Curiati também seguiu carreira política e, posteriormente, foi prefeito de São Paulo.

PUBLICIDADE