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Como a diplomacia brasileira se comportou nas outras COPs?

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Palácio do Itamaraty na Esplanada dos MinistériosFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A realização da COP 30, em Belém, tornou o Brasil o centro das discussões climáticas no mundo. A pauta climática é uma das principais bandeiras internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde o início do evento, no entanto, foi necessário contar com a atuação da diplomacia brasileira para ajudar a destravar temas importantes, como destacou a colunista do iG, Mariana Sgarioni, que avaliou como positiva a condução do embaixador André Corrêa do Lago, que lidera os trabalhos. 

E o papel dos especialistas em relações internacionais se mostrou relevante até o último momento da COP30, com tentativas nesta sexta-feira (21), horas antes do fim da conferência, de contornar o principal impasse: a retirada do texto final do trecho que fala em abandonar os combustíveis fósseis. 

Acordo de Paris

Historicamente, a diplomacia brasileira tem boa reputação no que diz respeito a alcançar consensos. E em outras edições da COP, os especialistas do Itamaraty tiveram papéis relevantes, mas também houve críticas, ainda que tenha sido uma exceção, se consideradas todas as 30 edições do evento mundial.

Três delas merecem destaque: COP21, COP 25 e COP 26.

Seis meses antes da COP21, na França, a diplomacia brasileira se mostrava confiante nas tratativas, como destacou a Agência Brasil, no mês de junho. 

“É claro que dá para ser otimista. Nós hoje estamos tratando questões como mudança do clima, adaptação, redução de emissões, que são cada vez mais centrais ao processo de desenvolvimento. Isso não se via 20 anos atrás”, explicou o ministro, que fará parte da delegação brasileira na COP 21”, destacou o chefe da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Itamaraty, ministro Everton Lucero

Na ocasião, o Brasil havia previamente apresentado propostas concretas para chegar ao consenso. Por isso, o ministro tinha a expectativa de que se concretizassem ”por meio da negociação junto a diversos países”.

Chegada a COP, o paísassinou o Acordo de Paris, comprometendo-se a diminuir a emissão de CO2 em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 20 anos. E em 2030, chegaria a 43%. Entre outras iniciativas, o país se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares de florestas

Desistência de candidatura brasileira

Três anos depois, o papel brasileiro nas negociações climáticas mundiais foram destacadas no comunicado oficial do Itamaraty, no início de outubro de 2018, colocando o país como candidato a sediar a conferência de 2019.

”A realização da COP-25 no Brasil confirma o papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável, em especial no que se refere à mudança do clima, e reflete o consenso da sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de ações que contribuam no combate à mudança do clima”, informava o trecho final do documento, disponível no site oficial do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Pouco menos de dois meses, o Brasil desistiu da candidatura, e quem tomou a frente para explicar foi o então presidente eleito Jair Bolsonaro (PL). Ele afirmou que teve influência direta na desistência, e que comunicou seu desejo ao futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. 

“Houve participação minha nessa decisão. Ao nosso futuro ministro, eu recomendei para que evitasse a realização desse evento aqui no Brasil. Até porque, eu peço que vocês [jornalistas] nos ajudem, está em jogo o Triplo A. Esse acordo, que é uma grande faixa, que pega a [Cordilheira dos] Andes, Amazônia, Atlântico, de 136 milhões de hectares, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, que poderá fazer com que percamos nossa soberania nessa área. Se isso for o contrapeso, nós teremos uma posição que pode contrariar muita gente, mas vai estar de acordo com o pensamento nacional”, informou na ocasião a Agência Brasil.

O Triplo propunha a construção de um corredor ecológico ligando a região da Cordilheira ao Atlântico, com mais de 200 milhões de hectares, envolvendo a região amazônica de Colômbia, Brasil, Peru, Equador, Venezuela, Guiana Francesa, Guiana e Suriname, afetando mais de 30 milhões de pessoas. Amazonas, Roraima e Amapá representariam 62% do corredor.

Cobrança por mais recursos 

Em 2021, meses antes da COP26, em Glasgow (Escócia), houve a troca do ministro do Meio Ambiente, com a saída de Ricardo Salles e chegada de Joaquim Leite.

Assim que assumiu a pasta, durante um almoço com a Frente Parlamentar da Agropecuária, o ministro empossado manteve a promessa de Salles, de 2019, de cobrar mais de R$ 500 bilhões prometidos por países ricos, segundo reportagem do Estadão.

A atuação de Leite foi considerada discreta em Glasgow. Depois da conferência, o MRE avaliou que o Brasil contribuiu para o entendimento global sobre o clima.

”Os negociadores brasileiros atuaram de forma colaborativa na busca dos consensos possíveis sobre os temas em pauta. O Governo brasileiro acolhe positivamente os entendimentos para a definição das regras operacionais do Acordo de Paris, envolvendo mercados globais de redução de emissões, transparência de ações e de apoio, marcos temporais comuns, adaptação e financiamento climático”, informou o Itamaraty. 

Na mesma nota, o Itamaraty afirmou que as soluções para os problemas do clima passam por desenvolvimento sustentável, neutralidade de emissões, aumento na capacidade de adaptação, entre outras ações.

”Em todas essas áreas, o Brasil mostrou em Glasgow que é parte da solução para os problemas causados pela mudança do clima”, concluiu o MRE.

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