Luís Inácio Lula da Silva (PT) é, mais uma vez, o presidente eleito do Brasil. Lula, que é o atual mandatário (2023/26) e já vencera os pleitos em 2002 e 2006, derrotou neste segundo turno o candidato Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por 51,76% a 48,24% (números de 21h20 deste domingo, com 99.85% dos votos). O total oficial ainda será confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente reeleito ultrapassou os 64 milhões de votos, contra 59 milhões de Flavio Bolsonaro (NR: atualizaremos com os números oficiais).
Foi uma virada inédita, já que, no primeiro turno, Lula perdeu, pois teve 45,16% (53.876.617 votos) contra 47,03% (56.104.268 votos). Assim, esta é a primeira vez que um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu reverter a vantagem no segundo turno.
Virada histórica
A eleição foi a mais acirrada da história. Apesar de perder por larga margem nas Regiões Sul (acima dos 60%) e Centro-Oeste, Lula compensou com votação extremamente expressiva no Nordeste (acima dos 70%) e na Região Norte. No Sudeste, apesar de ficar atrás no Rio, em São Paulo e no Espírito Santo, o atual presidente conseguiu uma mínima vantagem em Minas Gerais. Assim, a eleição confirmou uma máxima: sempre que um candidato à Presidência vence em Minas, ele é eleito.
Pesou para a vitória o imenso engajamento da militância. Ciente de que para conseguir uma virada e eliminar a diferença de 2 milhões de votos, os eleitores de Lula foram às ruas para lutar contra a abstenção, que ficou em 21,08%. Ocorreu a diminuição para 19%, e isso foi determinante para a vitória do atual presidente.
A eleição começou com Lula à frente nos primeiros 10% da apuração. Quando chegou aos 15%, Flávio Bolsonaro passou à frente. Porém, quando a apuração bateu em 47%, Lula retomou o primeiro lugar e manteve a dianteira. Agora, mais uma vez eleito. Lula terá um desafio pela frente. Nas eleições gerais do primeiro tiraram, a direita fez maioria na Câmara Federal e o Senado Federal e ele terá de governar, mais do que nunca dividindo forças.
Raio X de Lula
Torcedor do Corinthians, Lula fará 81 anos nesta terça-feira (nasceu em 27/10/1945, em Garanhuns, Pernambuco). Ainda criança, migrou para São Paulo. Começou trabalhando como metalúrgico (torneiro mecânico) e sindicalista. Foi no Sindicato dos Metalúrgicos que se tornou um dos líderes das greves dos operários do ABC Paulista. Em 1980, fundou o PT. Tornou-se deputado federal constituinte em 1986 e, desde 1989, disputa as eleições para presidente. Perdeu em 1989 (para Fernando Collor de Mello), 1994 e 1998 (ambas para Fernando Henrique Cardoso).
Em 2002, venceu José Serra (PSDB) e tornou-se presidente da República pela primeira vez. Conseguiu se reeleger em 2006, batendo Geraldo Alckmin (PSDB), que hoje é exatamente seu vice-presidente. Em 2010, conseguiu eleger sua sucessora, Dilma Rousseff, repetindo a façanha em 2014.
Lula não disputou a eleição de 2018, pois estava preso, condenado pela Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ficou preso por 580 dias (de 7/4/2018 a 8/11/2019). Todas as condenações foram anuladas pelo STF em 2021 devido à incompetência da 13ª Vara de Curitiba e à parcialidade reconhecida do juiz responsável pelo caso. Assim, voltou a ter condições para disputar eleições e, em 2022, foi candidato à Presidência, vencendo o então mandatário Jair Bolsonaro no segundo turno, após vencer o primeiro.
Agora, em 2026, bateu Flávio, o filho de Jair, de maneira inédita. Afinal, jamais o candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno havia vencido a eleição no segundo turno. Para isso, contou com uma mobilização de sua militância, que conseguiu reverter a diferença de 2 milhões de votos, pregando a diminuição da abstenção e o apoio maciço nas redes sociais.











