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Caso Unicamp: PF acha quase 300 tubos ligados a vírus em freezer

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Unicamp reprodução eptv

A Polícia Federal (PF) encontrou 291 tubos com amostras biológicas dentro do congelador da cozinha da casa de um casal investigado pelo furto de vírus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No mesmo compartimento, havia uma embalagem de frango congelado.

As seis caixas plásticas foram apreendidas em março na residência de Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller, em Campinas, no estado de São Paulo. Segundo documentos do inquérito obtidos pelo g1, os tubos tinham anotações feitas à mão, mas muitos traziam códigos que não permitiam identificar imediatamente o que havia dentro.

Uma análise visual indicou que parte das amostras poderia estar relacionada a agentes de interesse para a saúde humana ou animal. A perícia, porém, não conseguiu naquele momento confirmar quais vírus estavam nos recipientes nem estabelecer se os 291 tubos correspondiam ao material retirado da Unicamp. As caixas foram enviadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para análise.

A descoberta chama atenção porque, quando o caso veio a público, a informação era de que as amostras haviam sido recuperadas dentro da própria universidade. Os novos documentos mostram que a PF também encontrou material biológico na casa dos investigados.

H1N1 apareceu em outro freezer

A busca pelo material levou ainda a outros pontos da Unicamp.

Na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), cinco caixas com amostras foram encontradas em um ultracongelador mantido a -80°C. No Instituto de Biologia, policiais localizaram oito microtubos e dois tubos maiores com substâncias identificadas como vírus.

Parte dos recipientes também apareceu no lixo. Segundo os documentos, foram encontrados frascos vazios semelhantes aos usados para guardar as amostras originais e outros materiais descartados durante o período investigado.

Outro achado ocorreu em 24 de março, durante uma limpeza. Estudantes encontraram materiais em um freezer a -20°C. Entre eles estava um tubo identificado à mão como “H1N1 – Butantan – PS 23/09/25”. Os documentos apontam que a temperatura era inadequada para a conservação daquele material.

O H1N1 estava entre os vírus que teriam sido retirados do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia. Em março, uma reportagem do iG detalhou que pelo menos 24 cepas diferentes haviam sido levadas, entre elas dengue, chikungunya, zika, herpes, coronavírus humano e vírus que infectam animais.

Câmeras registraram casal em áreas restritas

As imagens anexadas ao inquérito mostram Soledad e Michael circulando por áreas controladas do Laboratório de Virologia, inclusive à noite, em fins de semana e durante o recesso acadêmico.

Michael aparece entrando e saindo com caixas em diferentes datas. Em 24 de fevereiro, as câmeras deixaram de gravar por quase duas horas, mas o sistema biométrico continuou registrando acessos dele à área NB-3, destinada à manipulação de agentes infecciosos sob protocolos rígidos de segurança.

As gravações não registraram o instante exato em que os frascos foram retirados dos ultracongeladores. A PF cruza as imagens com os acessos por biometria e o desaparecimento das caixas para reconstruir o que ocorreu.

Soledad, professora da FEA, chegou a ser presa em flagrante em março e depois recebeu liberdade provisória. Michael é veterinário e doutorando da universidade. Os dois são investigados no caso.

Anvisa descartou emergência de saúde

Apesar das condições em que parte das amostras foi localizada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou em março que, com as informações disponíveis naquele momento, não havia indicação de emergência de saúde relacionada ao material. A agência participou das buscas a pedido da PF.

A Unicamp também já havia informado que não havia organismos geneticamente modificados entre os materiais retirados e classificou o episódio como isolado. A universidade abriu uma investigação interna e reforçou controles de acesso e monitoramento dos laboratórios.

Agora, a instituição informou que concluiu a sindicância e abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar possíveis infrações. Também foram adotadas medidas como bloqueio definitivo do acesso dos investigados às áreas de pesquisa, auditorias e reforço do controle biométrico e das câmeras.

O iG entrou em contato com a Polícia Federal, a Unicamp, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a defesa de Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller para pedir novos posicionamentos sobre o caso e aguarda retorno.

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