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Caso Gisele: novas pistas mostram detalhes de como crime ocorreu

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Geraldo Neto e Gisele Alves eram casados há dois anosReprodução/Instagram

Novas evidências jogam luz sobre o caso de Gisele Alves Santana, encontrada morta em seu apartamento em fevereiro deste ano. O tenente-coronel, Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido, é o principal suspeito.

As pistas mostram como o crime teria acontecido. De acordo com simulação exibida no  dinâmica da Polícia Pericial, exibidas no programa Domingo Espetacular neste domingo (22), apontam que:

  • Gisele estaria de frente para a porta da varanda do apartamento quando é abordada por trás pelo tenente coronel.
  • Geraldo teria imobilizado a vítima que tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito colocou uma arma de fogo próxima à cabeça dela.
  • O laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha.

Para os peritos, essas marcas indicam que houve uma luta corporal ou tentativa de esganadura antes do disparo fatal.

Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro utilizado pelo tenente-coronel, especificamente nos registros de água, na parede e no chão do box.

A toalha e a bermuda utilizadas por Geraldo também apresentaram gotas de sangue, além dos fortes indícios de um possível contato físico com o sangue de Gisele antes de tomar banho.

Investigações apontam que horas depois do acontecido, três militares foram ao apartamento fazer a limpeza. Neto diz que o local fica preservado durante a perícia e quando a perícia deixa o local, já está prejudicado. Cabrini então o questiona sobre a tentativa de identificar a autoria do assassinato. 

A perícia foi feita antes da limpeza e não fui eu quem mandei eles irem limpar. Eu estava na delegacia sendo ouvido quando os policiais da manutenção foram lá. Eu nem sabia. Não acho estranho [a ida das polícias militares] porque a perícia foi feita”, disse Neto.

Mudança na linha de investigação

Com as novas provas, o crime passou a ser investigado como feminicídio e não como suícidio, como havia apontado o tenente-coronel preso na última quarta-feira (18), pela Corregedoria da PM em São José dos Campos, interior do estado.

Neto, que nega qualquer envolvimento na morte de Gisele, participou de uma entrevista exclusiva com Roberto Cabrini, no programa Domingo Espetacular, exibido neste domingo (22).

Investigações também revelou que após o assassinato da esposa e que durante a chegada de policiais no local do crime, Geraldo teria tomado banho duas vezes. O que seria estranho e também contra orientações dos próprios agentes.

Ele negou que tivesse manipulado o local do crime, antes da chegada dos policiais e que foi ao IML para ver o corpo da esposa. “Jamais alteraria a cena de um crime. Eu sou um policial correto, quem faz isso é bandido que quer mascarar uma situação”, afirmou.

Ao jornalista, o suspeito deu as suas versões sobre o caso e rebateu as diversas acusações que o tornam o principal suspeito pela morte da esposa. 

O advogado da família de Gisele, Miguel Silva, garante que Geraldo Neto é culpado: “No meu entendimento, foi premeditado. Porque ele criou toda uma cena e um histórico para encobrir o assassinato”.

Desde o momento da ocorrência a gente sabia que ali não era um suicídio, era um feminicídio”, revelou o secretário de Segurança Pública (SP), Osvaldo Nico Gonçalves.

Relacionamento conturbado

Em áudios de conversas entre os dois, exibidos no programa, há provas de que os mantinham um relacionamento marcado por ameaças, uso de controle contra Gisele, além de cobranças por sexo em troca de contas de consumo pagas.

Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele para Gisele em uma das mensagens. Gisele respondeu que não trocaria sexo por moradia, e sugeriu a separação.

A família de Gisele corrobora com as acusações e chegou a revelar momentos em que Geraldo mostrou atitudes agressivas e ameaçadoras contra Gisele. 

Pelas atitudes dele. Até uma bala que ele encontrou na bolsa dela, ela me disse que Geraldo perguntou o porquê daquela bala e perguntou quem ela iria beijar”, disse a mãe em entrevista exclusiva a Cabrini. 

Teve um dia que ele ficou nervoso aqui na minha casa, bateu a mão no rosto, falou que quem bancava tudo era ele, que o “papai” bancava tudo, aluguel, água e luz”, continuou ela.

Relembre o caso

No dia 18 de fevereiro, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. 

Às 7h28, uma testemunha vizinha ouviu um disparo. O tenente-coronel, que estava no local da ocorrência, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) às 7h57.

Geraldo disse à polícia que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas que chegaram ao local informaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no banheiro.

De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, Geraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito colocou uma arma de fogo próxima à cabeça dela.

O laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha.

A investigação da morte da soldado Gisele foi alterada de suicídio para feminicídio devido as provas, investigações, testemunhas e inconsistências. 

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