A caprinocultura na Paraíba ganhou espaço na economia do semiárido nos últimos anos. Em 2024, o Programa do Leite movimentou R$ 16,2 milhões com a compra de leite de cabra no estado, mais que o dobro dos R$ 7,6 milhões registrados em 2017, segundo dados divulgados pelo Sebrae da Paraíba.
Esse valor corresponde aos recursos movimentados pelo programa na compra do leite, e não ao faturamento total da cadeia. Por isso, é importante fazer a distinção, já que a atividade também envolve a comercialização de animais, carne, derivados, couro e outros produtos.
Além disso, o rebanho caprino paraibano cresceu. Segundo o IBGE, o estado tinha 739.915 animais em 2020 e chegou a 848.852 em 2024, aumento de aproximadamente 14,7% no período.
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Cariri concentra produção de leite de cabra
Nesse cenário, o Cariri paraibano ocupa uma posição importante na cadeia. A região reúne unidades de beneficiamento que recebem o leite das propriedades e transformam a matéria-prima em alimentos destinados a diferentes mercados.
Segundo levantamento divulgado pelo Sebrae da Paraíba, a região conta com sete usinas de beneficiamento. Desse total, seis estão ligadas a associações e cooperativas, enquanto uma unidade privada funciona em Sumé.
Entre os municípios citados estão Zabelê, Monteiro, Prata, Amparo e Sumé. Com essa estrutura, os produtores conseguem encaminhar o leite para processamento e ampliar as possibilidades de comercialização na própria região.
Além disso, dados citados pelo Sebrae apontam a Paraíba como líder nacional na produção de leite de cabra, com média anual de 5,6 milhões de litros. A informação é atribuída ao IBGE na divulgação da entidade.
Paraíba chega a 848 mil caprinos
O crescimento do rebanho acompanha a expansão da atividade. Em 2020, a Paraíba tinha 739.915 caprinos. Já em 2024, o número chegou a 848.852 animais, segundo o IBGE.
Com esse resultado, o estado ocupou a quinta posição entre os estados brasileiros com maior rebanho caprino naquele ano. Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará ficaram à frente.
No estado, Monteiro liderou a criação, com 40.123 cabeças registradas pelo IBGE em 2024.
Ao mesmo tempo, a criação de cabras ocupa espaço nas propriedades familiares do semiárido. A adaptação dos animais às condições da região favorece a diversificação da produção e permite aos criadores trabalhar com diferentes fontes de renda.
Cooperativas aproximam produtor e mercado
Em Cabaceiras, a cooperativa Capribov aparece entre os exemplos da estrutura criada em torno do leite de cabra. Segundo dados divulgados sobre a cadeia, a unidade processa cerca de 5,3 mil litros por dia, dos quais aproximadamente 4,8 mil são destinados ao Programa Leite da Paraíba.
Além da comercialização, a produção também chegou à alimentação escolar. Na 5ª Gerência Regional de Educação, que atende municípios do Cariri, escolas passaram a incluir produtos derivados do leite de cabra na merenda.
Nesse mercado, o queijo caprino ganhou espaço. Conforme os dados divulgados, o número de escolas que ofereciam o produto passou de cinco, em 2024, para 22 em 2025.
Assim, a compra institucional aproxima produtores, unidades de beneficiamento e consumidores. Para quem produz, o programa representa um canal de comercialização. Para as cooperativas, por sua vez, garante demanda para parte do volume processado.
Genética valoriza criação especializada
A atividade também avançou na seleção de animais leiteiros. Em Prata, o produtor Erivaldo Ferreira Vieira, conhecido como Fita, mantém um rebanho da raça Saanen e participa de exposições.
Em 2025, o Capril Fita recebeu dez premiações na 11ª Expoprata. Entre os resultados divulgados estão os títulos de grande campeã e grande campeão do futuro.
Nesse caso, a criação segue uma frente mais especializada da cadeia. Os produtores investem na seleção genética e na valorização dos animais destinados à produção de leite.
Couro amplia aproveitamento da cadeia
A atividade, porém, não se limita à produção de leite. Em Cabaceiras, a cooperativa Arteza utiliza couro caprino e bovino na fabricação de sandálias, bolsas, chapéus, bonés, chaveiros e outros produtos.
Dessa maneira, o aproveitamento do couro acrescenta uma etapa de transformação à cadeia e cria outra possibilidade de geração de renda. A produção animal, portanto, pode abastecer diferentes segmentos além do mercado de alimentos.
Programa do Leite mantém peso na atividade
A evolução dos recursos movimentados pelo Programa do Leite ajuda a dimensionar a importância das compras governamentais para o mercado de leite de cabra na Paraíba. O valor passou de R$ 7,6 milhões em 2017 para R$ 16,2 milhões em 2024, segundo dados divulgados pelo Sebrae da Paraíba.
No mesmo período, o estado ampliou o rebanho e manteve uma estrutura de beneficiamento concentrada principalmente no Cariri.
Para os produtores, a continuidade dos canais de comercialização será importante para sustentar o mercado. Ao mesmo tempo, o beneficiamento e a diversificação dos produtos podem abrir novas possibilidades de renda no campo.
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