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Brasileiro pega 12 anos nos EUA por lavagem de R$ 150 milhões

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Ygor Fokin SaviolliReprodução

O brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, foi condenado a 12 anos de prisão nos Estados Unidos por chefiar parte de uma organização internacional que lavou mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 150 milhões, provenientes de atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas. O esquema também é investigado pela Polícia Federal brasileira por suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A sentença foi anunciada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (16). Saviolli admitiu participação na conspiração para lavagem de dinheiro e recebeu a pena de um tribunal federal do sul da Flórida. Outros cinco integrantes do grupo também foram condenados.

Dinheiro do tráfico circulava por bancos americanos

Segundo documentos judiciais, a organização utilizava uma rede de intermediários para recolher dinheiro da venda de drogas em diferentes cidades dos Estados Unidos.

Os valores eram depositados em instituições bancárias para dificultar a identificação da origem ilícita e permitir que os recursos chegassem a fornecedores de entorpecentes no exterior.

As operações eram coordenadas por conversas no WhatsApp. Os responsáveis pelas coletas atuavam em cidades como Atlanta, Chicago, Cleveland, Charlotte, Minneapolis, Rochester e Tampa.

Saviolli fornecia recursos antecipados para viabilizar as transações e supervisionava o recebimento e a ocultação do dinheiro. Outro brasileiro, Gabriel Cezar Menezes, de 29 anos, orientava os intermediários e também participava pessoalmente das coletas.

De acordo com a Justiça americana, o grupo operava em diferentes países e utilizava a estrutura financeira para ocultar os lucros das atividades criminosas.

Operação da PF investiga ligação com o PCC

Saviolli também foi alvo da Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2026 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional e ao PCC.

A operação cumpriu mandados em São Paulo, Santos (SP), Praia Grande (SP) e Santana de Parnaíba (SP), além de determinar o bloqueio de bens, valores e criptoativos.

Na investigação brasileira, Saviolli é apontado como integrante de uma estrutura financeira que também envolveria Victor Henrique de Oliveira Shimada.

A análise de aparelhos eletrônicos apreendidos nos Estados Unidos ajudou os investigadores a identificar conversas sobre pagamentos, negociações de drogas e possíveis mecanismos de ocultação de recursos.

Em algumas mensagens examinadas pela PF, a palavra “iPhone” teria sido utilizada como código para haxixe.

A ligação com o PCC integra a apuração conduzida no Brasil. O comunicado da Justiça americana sobre a condenação não identifica a facção como destinatária dos recursos.

Outros cinco envolvidos receberam penas

Os demais integrantes da organização foram condenados em setembro, após admitirem participação no esquema de lavagem de dinheiro.

Gabriel Cezar Menezes recebeu pena de sete anos e dez meses de prisão. Omar Aliperti de Mello Correa foi condenado a dois anos e seis meses, enquanto Leandro de Ávila Gonçalves recebeu dois anos.

João Andrade de Mello e Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa foram sentenciados a um ano e um dia de prisão cada.

As investigações americanas foram conduzidas pelo FBI, com apoio da agência antidrogas DEA e do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

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