O Brasil ampliou o acesso de miúdos suínos ao mercado chinês após assinar, neste sábado (26), a revisão do protocolo sanitário entre os dois países. Com a mudança, as empresas brasileiras poderão ampliar a lista de produtos destinados ao mercado chinês, incluindo itens como fígado, coração, rins e estômago.
A medida pode gerar mais de US$ 100 milhões em receitas adicionais para a cadeia brasileira de suínos. Além disso, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá enviar mais de 100 mil toneladas de miúdos por ano à China.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, assinaram o documento. Antes disso, uma missão técnica chinesa avaliou frigoríficos, propriedades rurais e laboratórios de seis estados brasileiros.
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China amplia espaço para miúdos suínos brasileiros
O Brasil já exportava alguns miúdos suínos externos para a China, como patas e orelhas, antes da revisão do protocolo. Em 2025, foram embarcadas 21,5 mil toneladas desses produtos, com receita de US$ 62,8 milhões, segundo dados divulgados pelo setor.
Agora, o novo protocolo amplia a autorização para miúdos internos, incluindo produtos como fígado, coração, rins e estômago. Dessa forma, a novidade não está no início das exportações de miúdos brasileiros para a China, mas na ampliação da lista de produtos que poderão acessar o mercado chinês.
A mudança atende a um mercado com forte demanda por esses produtos. Dados citados pelo setor indicam que a China importou cerca de US$ 2,46 bilhões em miúdos comestíveis de suínos em 2024. Naquele ano, o Brasil respondeu por aproximadamente US$ 70,8 milhões desse comércio.
Novo mercado pode aumentar o aproveitamento da produção
Para os frigoríficos, a ampliação cria novas possibilidades de comercialização de partes do animal que encontram menor demanda no mercado brasileiro. Assim, a indústria pode aumentar o aproveitamento econômico da produção e diversificar os destinos das vendas.
A ABPA estima que a ampliação possa permitir o envio de mais de 100 mil toneladas de miúdos por ano à China e gerar potencial adicional superior a US$ 100 milhões em receitas. Esses valores, porém, são projeções do setor e não representam exportações já contratadas.
O resultado dependerá da habilitação dos estabelecimentos, do cumprimento das exigências sanitárias e da demanda efetiva dos compradores chineses. Além disso, as empresas interessadas precisarão seguir os procedimentos de certificação definidos no protocolo antes de iniciar os embarques dos produtos incluídos na nova lista.
Para os produtores, o possível aumento das vendas internacionais pode repercutir na cadeia à medida que os frigoríficos ampliem a demanda e o aproveitamento da produção. A concretização desse efeito, contudo, dependerá do ritmo de habilitação das empresas e da resposta do mercado chinês.
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