A braquiária híbrida Mavuno produziu 17,31 toneladas de folhas por hectare em um ano e registrou relação folha/colmo de 4,68 em pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em São João del-Rei (MG). O resultado foi o maior entre dez materiais de Urochloa avaliados no experimento, incluindo nove híbridos disponíveis no mercado e a cultivar Marandu, utilizada como testemunha.
A relação folha/colmo mede a proporção entre essas duas partes da planta. De modo geral, as folhas têm maior valor nutricional e digestibilidade do que os colmos. Por isso, um pasto pode apresentar alta produção de massa seca, ainda assim, oferece menor folhas ao rebanho.
O estudo foi realizado ao longo de 2025 no Campus Tancredo de Almeida Neves da UFSJ, na região de Campo das Vertentes. Segundo a pesquisa, o Mavuno produziu 22,15 toneladas de matéria seca por hectare no ano. Desse total, 17,31 toneladas foram de folhas e 3,69 toneladas, de colmo. Assim, as folhas representaram aproximadamente 78% da produção anual.
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Comparação com o Marandu
Em relação ao Marandu, o Mavuno produziu cerca de 20% mais folhas, conforme os resultados apresentados pelo trabalho. Ao mesmo tempo, a produção de colmos foi 28,4% menor e a relação folha/colmo ficou 66,1% superior. Essas diferenças foram estatisticamente significativas.
Entre os demais híbridos avaliados, alguns alcançaram maior produção numérica de matéria seca total. Contudo, registraram relação folha/colmo de 2,54 contra 4,68 do Mavuno. A diferença de aproximadamente 85% também foi estatisticamente significativa.
O híbrido ainda apresentou baixa produção de inflorescências. No acumulado anual, produziu 3,27 kg por hectare e ficou entre os materiais com menor resultado nesse componente.
Desempenho nas águas e na seca
Durante o período das águas, o Mavuno produziu 16,94 toneladas de matéria seca por hectare. Desse montante, 13,60 toneladas corresponderam a folhas. Além disso, a produção foliar ficou 20,2% acima da testemunha em termos numéricos, com relação folha/colmo de 4,67 e 2,91 toneladas de colmos por hectare.
Entre junho e outubro, período da seca no experimento, o híbrido produziu 5,21 toneladas de matéria seca por hectare, das quais 3,75 toneladas foram de folha. Portanto, a produção foliar ficou 19,76% acima do Marandu, também em termos numéricos. Segundo o estudo, o material manteve alta participação das folhas e baixa presença de colmos na estação seca.
Lucas Miguel Martins, autor do trabalho, destacou a composição morfológica do Mavuno.
“Em relação à proporção entre folhas e colmos, o desempenho foi muito positivo, com alta produção de folhas, baixa produção de colmos e pouquíssima produção de inflorescências e material morto”, afirmou.
Ele também observou a recuperação da forrageira após os cortes. Durante o experimento, segundo o autor, o pasto voltava a atingir a altura estabelecida para o manejo em cerca de três semanas, podendo chegar a 25 dias.
Resultados são regionais
A professora Janaina Azevedo Martuscello Vieira da Cunha, orientadora da pesquisa, explicou que os resultados devem ser interpretados no contexto local.
“O Campo das Vertentes se destaca pela produção de leite, com inúmeras propriedades que utilizam sistemas de produção a pasto. Encontrar híbridos mais adaptados e produtivos às nossas condições é importante para diversificar as pastagens, já que o capim Marandu é predominante na região. É importante destacar, porém, que os resultados são indicativos para as condições locais e que estudos dessa natureza devem ser realizados em outras regiões do país”, afirmou.
O trabalho foi desenvolvido como conclusão do curso de Zootecnia de Lucas Miguel Martins, sob orientação de Janaina.
Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, empresa do setor de sementes forrageiras, a escolha de cultivar não deve se basear apenas no volume total produzido.
“Na escolha da pastagem, não basta olhar o volume de massa produzido. O produtor precisa considerar quanto dessa produção está em folhas e como o pasto responde nas águas e na seca. O estudo mostra uma combinação relevante de alta produção foliar e menor participação de colmos, indicadores importantes para o aproveitamento da forragem pelos animais”, avaliou.
A pesquisa mediu a produção e composição morfológica da forragem. Portanto, não avaliou diretamente valor nutritivo, digestibilidade ou consumo animal, embora esses atributos estejam associados à maior participação de folhas na literatura técnica.
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