A Polícia Federal localizou no Paraguai e trouxe de volta ao Brasil um avião ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Avaliada em cerca de R$ 120 milhões, a aeronave foi encontrada em Assunção no sábado (15) e chegou a Brasília neste domingo (16).
Mesmo com Vorcaro preso desde 4 de março, o jato continuou cruzando fronteiras e fez 16 voos internacionais, com passagens por destinos como Nova York, Mônaco e Dubai. Não há registro público de quem estava a bordo nessas viagens.
a aeronave localizada no Paraguai integra a frota ligada ao empresário. O avião é um Gulfstream GV-SP, de prefixo PR-PSE, registrado em nome da Viking, empresa de gestão patrimonial associada a Vorcaro.
A operação contou com apoio da Adidância da PF no Paraguai e da Secretaria Nacional Antidrogas do país. Após as tratativas com as autoridades paraguaias, o jato pousou no Aeroporto Internacional de Brasília e ficará à disposição das decisões judiciais sobre o caso.
O avião estava fora do Brasil desde agosto de 2025. Depois da segunda prisão de Vorcaro, Assunção passou a aparecer repetidamente como ponto de partida ou chegada dos voos. Nesse período, a aeronave circulou pela América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio sem retornar ao território brasileiro até a ação deste fim de semana.

A matrícula do Gulfstream tem duas ordens judiciais de bloqueio, que impedem a venda ou transferência do bem. Não há, no Registro Aeronáutico Brasileiro, informação pública de que o avião tenha sido sublocado.
A localização reforça uma frente que já vinha sendo aberta pelos investigadores para encontrar patrimônio relacionado ao empresário fora do país. Em julho, o iG mostrou que a PF acionou a Interpol para rastrear bens de Vorcaro no exterior, incluindo aeronaves, imóveis, empresas, contas bancárias e embarcações.
A defesa de Vorcaro não explicou quem utilizou o avião durante os meses em que o ex-banqueiro permaneceu preso. Até a noite deste domingo, também não havia manifestação pública sobre a apreensão do jato.
Quem é Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, de 42 anos, ganhou projeção no mercado financeiro após assumir o antigo Banco Máxima e comandar a transformação da instituição no Banco Master. O empresário também ficou conhecido por investimentos fora do setor bancário e por um patrimônio que incluía jatos particulares. O iG já mostrou a trajetória do empresário e os negócios que o colocaram no centro do mercado financeiro.
Vorcaro entrou na mira da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Foi solto dias depois sob medidas cautelares, mas voltou a ser preso em 4 de março deste ano. A nova etapa da investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A defesa do empresário nega irregularidades.
O Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central, enquanto as investigações se espalharam por diferentes frentes e chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Um raio-X publicado pelo iG reúne os principais pontos do caso Master. Preso desde março, Vorcaro também tentou negociar um acordo de colaboração premiada; em junho, a PF rejeitou uma segunda proposta apresentada pelo empresário, embora as tratativas continuassem naquele momento.











