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“As eleições vão ser definidas domingo”, diz Lula no Flow Podcast

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Lula e Igor Coelho, o Igor 3K, que comanda o Flow PodcastReprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu programas sociais, apresentou propostas e respondeu a casos polêmicos durante entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º). A conversa com o apresentador Igor 3K ocorreu na reta final do primeiro turno das eleições e foi transmitida ao vivo no iG.

Ao longo da entrevista, Lula falou sobre  o caso do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro; a crise do Supremo Tribunal Federal, fraude no INSS e Lulinha, bets e endividamente, entre outros temas. 

A participação aconteceu no mesmo horário em que a TV Globo havia marcado o último debate entre presidenciáveis antes do pleito. No entanto, o programa foi cancelado minutos antes.

O presidente decidiu não participar e anunciou sua decisãona quarta-feira (30). Já seu principal oponente, Flávio Bolsonaro (PL),  que tinha confirmado presença, anunciou desistência duas horas antes. Diante do esvaziamento, a emissora anunciou o cancelamento do debate.

Lula abriu a entrevista ao Flow reafirmando suas críticas ao formato dos debates eleitorais, que, segundo ele,  privilegia a troca de acusações e a produção de cortes para as redes sociais, em detrimento da discussão de propostas.  “Debate não é brincadeira”, disse, completando com críticas a Flávio Bolsonaro.

“Uma coisa é debate com Serra, Maluf, FHC, que, independente de partido, têm história política, biografia. Outra coisa é participar com uyma pessoa desqualificada como o Flávio Bolsonaro, que nunca trabalhou na vida e  tem um passado tenebroso. Ele não tem condição de ser sindico de prédio; a única coisa que ele tem é o antipestismo, antilulismo, justamente por casa dos avanços que nós conseguimos e que inxomodam meus inimigos; sou um torneiro mecânico com três mandatos de presidente. Sofro preconceito. Quero tornar o Brasil igualitário e tem muita gente que não quer isso”, afirmou.

O candidato petista disse ainda que acredita na sua vitória no primeiro turno e continuou as duras críticas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Mas eu, sinceramente, acho que eu vou ganhar as eleições no primeiro turno. Acho que essas eleições vão ser definidas domingo. Eu fico analisando por que que alguém votaria no Flávio Bolsonaro. Eu fico imaginando por que que o Igor sairia da casa dele ou o Lula da casa dele pra votar no Flávio Bolsonaro.  O quê que ele tem pra oferecer? O passado dele é tenebroso”, enfatizou.

Confira outros trechos da entrevista ao Flow Podcast.

Caso Master

Questionado se o caso Banco Master seria a maior crise do Brasil, Lula respondeu que “ainda não é, mas pode ser”. Citou outros episódios históricos, como o golpe militar de 1964.

O presidente reafirmou sua posição de que todas as pessoas envolvidas devem ser investigadas, independentemente do cargo ou posição.

“Esse caso criou uma proporção tão grande que a unica saída é investigar. Todos, sem exceção. Porque Vorcaro não era só ladrão, era um mágico, porque envolveu todo mundo. O povo tem o direito de saber o que está acontecendo. Vamos investigar, doa a quem doer”, disse. “Ele envolvia até o Luciano Huck, que aparece de vez em quando querendo ser político. Um cara moderno, que não está na política, que é de fora, fez um curso não sei aonde, de repente a gente descobre que ele viajava no avião do Vorcaro para baratear as custas do programa dele. Está ficando todo mundo nu dentro da sociedade. A gente descobre uma sequência de senadores, deputados, tudo com as meninas da Suíça, da Suécia, sei lá. Ou seja, virou uma pu*****, desculpa o palavrão”, acrescentou.

Crise no STF

Ao falar sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula afirmou que cobrou do ministro Alexandre de Moraes explicações sobre sua relação com o caso Banco Master e os contratos do escritório de sua esposa com a instituição. Segundo o presidente, Moraes “deve uma explicação à sociedade brasileira”.

Lula defendeu que as investigações alcancem todos os envolvidos no caso, sem distinção de cargo. O presidente afirmou que não se deve investigar apenas Moraes e citou outros ministros que teriam aparecido nas denúncias relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. “Vamos julgar todo mundo”, disse.

O presidente também defendeu a decisão do ministro Flávio Dino de pedir vista no julgamento relacionado ao caso. Segundo Lula, Dino é “muito competente” e a questão deve ser resolvida pelo próprio Supremo, sem interferência do presidente da República.

Lula afirmou ainda que conversou três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, durante a crise. Segundo ele, pediu que Fachin evitasse que os ministros da Corte “ficassem se digladiando” e assumisse a responsabilidade pela condução do caso.

O presidente também defendeu que não haja proteção para autoridades diante de investigações. “Não pode ter proteção do presidente da República, do ministro da Suprema Corte, do deputado, do senador”, afirmou.

Lula disse ainda que pretende promover uma reforma do Judiciário e reconheceu que a mudança não será uma tarefa fácil.

Relação com Trump

Lula afirmou que sua relação com Donald Trump é baseada em respeito e relatou que o presidente americano costuma mencionar o poderio militar dos EUA nas conversas entre os dois.

“Eu não quero guerra com você. Eu quero derrotar você na narrativa”, disse. Lula também afirmou que já publicou artigos na imprensa americana para dialogar com a população dos EUA e criticou Eduardo Bolsonaro, acusando-o de atuar no país contra os interesses do Brasil.

Endividamento e reforma tributária

Lula afirmou que o objetivo da reforma tributária aprovada pelo Congresso e que começa a entrar em vigor agora é reduzir impostos e baratear o custo da produção no país. Segundo ele, é necessário mudar a lógica de cobrança de tributos para evitar que o peso recaia sobre os mais pobres.

“O rico reclama muito. Temos que cobrar de quem tem dinheiro, não do pobre que faz duas horas extras e paga imposto. Temos que mudar isso”, afirmou.

O presidente também destacou que a inflação acumulada em quatro anos está no menor nível do período e afirmou que o governo deve fechar o ano com superávit primário.

“Não posso gastar o que não tenho. Só posso fazer dívida se puder pagar e não posso jogar dinheiro fora”, disse.

MP das Bets

Lula relatou que houve resistência dentro do governo à decisão de restringir as bets. Segundo ele, uma ala defendia acabar com jogos como o “Tigrinho” sem atingir as apostas esportivas relacionadas aos clubes de futebol.

O presidente mencionou casos de pessoas que conheceu e que enfrentaram problemas de endividamento por causa das apostas.

Segundo Lula, a decisão de restringir o setor foi tomada para evitar que a população mais pobre fosse prejudicada. Questionado sobre por que a medida não foi adotada antes, afirmou que o momento certo foi agora, mas reconheceu que a questão ainda não está resolvida.

Lula também afirmou duvidar que o Congresso tenha coragem de derrubar a medida provisória que trata das bets. “Essa é uma briga boa e uma guerra que tinha que ser feita”, disse.

Fraude no INSS e Lulinha

Lula afirmou que o governo passou dois anos investigando as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) antes de deflagrar a operação para desmontar o esquema. Segundo o presidente, foram identificados cerca de 5 milhões de aposentados lesados e os valores já estariam sendo pagos de volta aos beneficiários.

Lula também afirmou que cerca de R$ 100 milhões foram sequestrados dos envolvidos nas fraudes.

Questionado sobre o filho, Lulinha, e uma possível relação com o chamado “careca do INSS”, Lula disse duvidar que o filho tenha feito lobby com qualquer ministro de seu governo. O presidente afirmou que quer que o inquérito avance e que o filho preste depoimento.

“Se ele fez alguma coisa errada, ele não vai ter proteção da Polícia Federak, nem de nenhuma autoridade”, afirmou.

Lula disse ainda que o filho já foi alvo de muitas acusações e que terá sua solidariedade, mas deverá prestar contas à sociedade caso seja necessário.

Ao comentar o episódio, Lula mencionou a Operação Lava Jato e afirmou que também foi alvo de acusações falsas. Segundo ele, enfrentou o processo, ficou preso e nunca recebeu um pedido de desculpas.

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