Vamos deixar bem claro que eu nem espero que as atrizes que vou citar utilizem seus personagens para ganhar fortunas nas plataformas.
Lembro apenas que Raquel Pacheco, em seu retorno às plataformas, ganhou R$ 100 mil em um único dia, o que representa R$ 3 milhões por mês.
Mas esta coluna é uma fantasia baseada nas atrizes que arrasaram em seus papéis sensuais e deixaram o público fascinado.
Então, vamos a uma reflexão que mostra a força da interpretação de uma atriz.
O chamado fictional crush explica por que personagens que não existem fora das telas despertam desejo, curiosidade e fantasia no público.
Além da paixonite por alguém do trabalho, por uma celebridade ou por uma pessoa do passado, existe o chamado fictional crush: a atração por personagens de filmes, séries, novelas, livros e jogos. Mesmo sabendo que essa figura não existe fora da ficção, o público pode desenvolver desejo, curiosidade e identificação a partir da aparência, da personalidade e da história apresentada nas telas.
Esse imaginário também chegou à criação de conteúdo. Inspiradas por personagens conhecidas do público, criadoras reproduzem figurinos, cenas e universos de novelas, filmes e séries. A proposta é aproximar da realidade fantasias que, até então, existiam apenas nas telas.
Recentemente, Raquel Pacheco, cuja história inspirou Bruna Surfistinha, interpretada por Deborah Secco no cinema, faturou mais de R$ 100 mil nas primeiras 24 horas na FatalFans. O resultado mostrou a força da curiosidade em torno de uma figura que já fazia parte do imaginário popular. Mas, se outras personagens da televisão e do cinema pudessem sair da ficção e criar conteúdo por assinatura, quais poderiam repetir esse sucesso?
Entre as personagens que mais mexeram com o imaginário masculino está Gabriela, vivida por Juliana Paes, cuja sensualidade espontânea e comportamento livre fizeram dela um símbolo de desejo para diferentes gerações. Fora da ficção, a curiosidade sobre sua intimidade e sua rotina sem regras poderia conquistar uma audiência fiel. O mesmo aconteceria com Bebel, interpretada por Camila Pitanga em Paraíso Tropical, que marcou o público com ousadia, humor, bordões e uma personalidade imprevisível.
Na avaliação de Kellerson Kurtz, diretor de operações da FatalFans, Gabriela e Bebel teriam força por já chegarem ao público com identidade e histórias conhecidas. “Elas não dependeriam apenas da imagem. São personagens que permaneceram na memória do público e despertaram a curiosidade sobre a rotina, os bastidores e aquilo que as novelas não mostravam”, afirma.
Também aparecem nessa lista Angel, vivida por Camila Queiroz em Verdades Secretas, e Ritinha, interpretada por Isis Valverde em A Força do Querer. Enquanto Angel ficou ligada ao universo da moda, do luxo e dos segredos, Ritinha marcou a televisão pela liberdade, pelo mistério e pela estética das sereias. As duas despertaram fantasias diferentes, mas mantiveram em comum a capacidade de provocar curiosidade para além das próprias tramas.
Para Kellerson, o desempenho nas plataformas não depende de um padrão único de corpo, idade ou perfil, mas da história que cada criadora apresenta e da relação construída com o público. “Muita gente acredita que existe um modelo ideal para faturar, mas acontece o contrário. O que vende é identidade, personalidade e uma história que desperte curiosidade. Quando existe interesse em continuar acompanhando aquela mulher, a assinatura se torna uma consequência”, conclui.











