O presidente Lula (PT), durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (19), levantou uma questão curiosa sobre o comportamento de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que, a despeito de se posicionar contra criminosos em geral, inexplicavelmente, se prontificou a defender um policial militar acusado de fuzilar Ana Clara Gomes Machado, uma criança de 5 anos.
O Caso Ana Clara, como o crime ficou conhecido, chocou o Brasil há quase seis anos. A menina foi baleada e morta por quatro tiros de fuzil, arma que pertencia ao cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Bruno Dias Delaroli.
De 2021, quando ocorreu o assassinato, para cá, a Justiça não andou, a despeito de Delaroli, o principal suspeito, ter sido denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Delaroli deveria ter sido julgado há tempos por júri popular (quando há crimes dolorosos contra a vida), mas pelo que se constata, ele conseguiu em Flávio, um bom advogado.
Senador à época do crime, ele contribuiu para impedir que seu cliente fosse julgado e, eventualmente, condenado e preso.
Desde então, enquanto a família de Ana Clara aguarda por Justiça, o PM defendido por Flávio, segue livre, leve e solto, como se nada tivesse ocorrido.
Incoerência
No debate, Lula lembrou a incoerência de seu adversário, que volta e meia promete, se eleito, aumentar a ofensiva contra os criminosos, endurecer as punições a todos eles, e que se posiciona contra quaisquer benefícios dados aos presidiários, como as chamadas “saidinhas”.
O raciocínio de Lula foi simples: já que ele diz tudo isso em relação em relação à bandidagem, por que então ser arvorou em defender logo um suposto autor de um crime tão violento e chocante como a morte de uma menina que brincava na porta de sua casa no momento dos disparos?
Lula fez então uma pergunta objetiva a Flávio:
“você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”
Flávio, como fez ao longo de todo o debate, ignorou mais essa pergunta que, nitidamente, não lhe agradou e deixou a dúvida no ar, como se não tivesse que dar explicação alguma de seus atos aos eleitores que assistiam ao debate naquela noite.
Logo ele, que tanto se esforça para descolar sua imagem de bandidos, de acusações e investigações sobre suas supostas ligações com o crime organizado, representado pelas milícias e facções que atuam no Rio de Janeiro.
Ou, mesmo de criminosos como Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, atualmente preso na Papudinha, com que se relacionava ao ponto de pedir pelo Zap R$ 134 milhões (ou cerca de US$ 25 milhões) para financiar o filme biográfico “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
O crime
Ana Clara foi atingida pelos disparos e morta em Niterói no dia 2 de fevereiro de 2021, um domingo, enquanto brincava na porta de sua casa com o irmão de dois anos.
O MP do Rio denunciou o policial militar Bruno Dias Delaroli de ser o autor dos disparos de fuzil em direção a uma área residencial durante uma operação policial.
Segundo a denúncia, o militar assumiu o risco de atingir alguém, mesmo depois de sido alertado que havia pessoas no local.









