O futebol brasileiro segue reproduzindo um contraste evidente entre quem atua dentro das quatro linhas e quem ocupa os cargos de liderança fora delas. No cenário atual do Campeonato Brasileiro, a presença de Marcão, do Fluminense, e Jair Ventura, do Vitória, é um forte legado. Eles são apenas os dois únicos técnicos pretos entre os 20 clubes da Série A. Ao expandir a análise para a Série B, o afunilamento se torna absoluto: não há nenhum profissional dessa etnia empregado na segunda divisão nacional.
A saber, o levantamento revela que, em um universo de 40 clubes profissionais que disputam as duas principais divisões do país, 38 equipes mantêm comandantes brancos ou estrangeiros. Sem dúvida, a disparidade escancara o teto de vidro na transição de ex-atletas para cargos estratégicos de comissão técnica e gestão desportiva.
Recorte nacional de técnicos pretos
A inexistência de treinadores pretos na Série B fecha uma das principais portas de desenvolvimento para novos nomes à beira do campo:
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Série A: Apenas 10% dos postos ocupados (Marcão e Jair Ventura em um universo de 20 equipes)
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Série B: 0% de representatividade racial nas comissões técnicas principais entre os 20 clubes
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Total consolidado: Apenas dois profissionais pretos entre 40 cargos nas Séries A e B (5% do ecossistema)
Dados históricos mapeados pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol indicam que essa proporção raramente superou os 10% na elite ao longo das últimas décadas. Além da escassez de contratações, levantamentos do setor apontam que técnicos pretos historicamente enfrentam menor tolerância da opinião pública e de diretorias diante de sequências negativas de resultados.
Autodeclaração e barreiras institucionais
O debate sobre representatividade no futebol ganha peso através dos censos esportivos e do posicionamento institucional dos profissionais. Filho do histórico atacante Jairzinho, Jair Ventura figura constantemente nos levantamentos demográficos da modalidade como um dos raros treinadores que afirmam sua identidade preta no primeiro escalão.
Ao mesmo tempo, Marcão representa a trajetória de resistência comum a ex-atletas pretos, tendo percorrido anos como auxiliar técnico fixo e interino antes de obter oportunidades efetivas à frente de projetos de elite.
Por fim, a disparidade numérica entre a base de atletas — majoritariamente composta por pretos retintos e não-retintos — e a cúpula dos bancos de reservas comprova que a barreira institucional no futebol brasileiro persiste. E que, de fato, exige ações concretas dos clubes para abrir espaços legítimos e contínuos de comando técnico.













