Andreas von Richthofen, sobrinho do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, que foi encontrado morto em janeiro, em sua residência, decidiu abrir mão da herança de R$ 5 milhões deixada pelo tio materno.
Sem Andreas, estão agora no centro do conflito sua irmã Suzane von Richthofen e a prima e ex-companheira do médico, Silvia Magnani.von Richthofen, e Silvia Magnani.
Como não deixou testamento, Miguel teve seu patrimônio submetido às regras legais de sucessão, abrindo espaço para a disputa entre possíveis herdeiros.
O processo corre nas varas de Família e Sucessões e ainda discute quem ficará responsável pela administração dos bens.
Miguel residia no Campo Belo, na zona sul de São Paulo, e foi encontrado morto em casa, sem sinais aparentes de violência.
A polícia trata como morte suspeita e aguarda a conclusão dos laudos requisitados ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar no esclarecimento das causas da morte.
Onze dias depois do corpo ter sido encontrado, o caso ganhou novos desdobramentos quando a prima denunciou um furto na residência, que estava vazia desde sua morte.
Silvia Magnani registrou boletim de ocorrência (BO) alegando que o imóvel foi “saqueado” no dia 20 de janeiro, com a retirada de todos os eletrodomésticos, mobília e até o carro da vítima, um Subaru avaliado em R$ 200 mil.
Dias depois, Suzane informou à Justiça que o carro está em sua posse, estacionado em um “local seguro” e sem uso, aguardando deliberação judicial.
A defesa de Suzane afirma que a retirada foi uma medida para proteger o patrimônio, diante de relatos de invasões e desaparecimento de objetos da residência.
Disputa
Miguel possuía ao menos três imóveis na capital: a casa onde morava, um imóvel recebido em doação do pai e uma sala comercial no Condomínio Bonnaire Office, na região entre Butantã e Santo Amaro.
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De um lado da disputa por seus bens, está Silvia Magnani, que sustenta ter vivido em união estável com o médico por cerca de 14 anos e tenta ser reconhecida como herdeira, além de pleitear a função de inventariante.
Do outro lado, está Suzane von Richthofen, que alega prioridade por ser parente consanguínea mais próxima.
Embora tenha sido excluída da herança de seus pais Manfred e Marísia von Richthofen, já que teve participação no homicídio do casal, a legislação brasileira estabelece critérios distintos para a sucessão de parentes colaterais, o que pode permitir que ela receba parte do patrimônio do tio.
Como Miguel não tinha filhos e nem esposa, os bens são destinados aos parentes considerados colaterais até o quarto grau. Dentro dessa classe, os irmãos têm preferência e, no caso, sendo Marísia já falecida, seus filhos entram na partilha.
Mas Andreas decidiu ficar de fora.
Após o assassinato dos pais de Suzane, em 2002, foi justamente Miguel quem obteve na Justiça decisão que declarou a sobrinha indigna de herdar os bens da família, avaliados na época em cerca de R$ 10 milhões.
Após o assassinato do casal, foi o médico que também virou tutor do então menor de idade Andreas von Richthofen.
Agora, a defesa de Silvia tenta utilizar esse entendimento para afastar Suzane da sucessão do tio.













