O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), lançou um alerta preocupante sobre a crise que atinge a cadeia produtiva de leite no Brasil. “Produzir leite no Brasil tem se tornado cada vez mais difícil”, afirmou o parlamentar, destacando que o setor enfrenta uma combinação letal de custos elevados, preços baixos ao produtor e o crescimento acelerado das importações de lácteos, especialmente do Mercosul.
No Rio Grande do Sul, tradicional polo leiteiro do país, o número de produtores despencou para cerca de 28 mil – apenas um terço do que existia há dez anos. Entidades representativas apontam que a principal causa é a pressão econômica: os custos de produção não param de subir, enquanto o preço pago ao produtor permanece estagnado ou em queda, agravado pela concorrência desleal de produtos importados.
A situação é ainda mais crítica em Santa Catarina, onde o preço médio do leite pago ao produtor gira em torno de R$ 2,14 por litro. No entanto, o custo médio de produção já ultrapassa R$ 2,20 por litro, mantendo milhares de famílias no prejuízo mês após mês.
Impacto social gigantesco
Durante pronunciamento, Pedro Lupion enfatizou o caráter social da atividade leiteira. “Hoje, são 1,18 milhão de propriedades rurais que dependem da produção de leite. Boa parte, mais de 80%, é da agricultura familiar, e isso é extremamente impactante socialmente e pode gerar um problema social gigantesco”, alertou o deputado.
Para o presidente da FPA, a continuidade desse cenário pode levar ao êxodo rural em massa, com consequências graves para a segurança alimentar e para a economia de centenas de municípios que têm o leite como base de sustento.
Importações em alta
O aumento das importações de lácteos do Mercosul – especialmente de Argentina e Uruguai – tem sido apontado como um dos principais vilões. Produtores brasileiros reclamam de concorrência desleal, já que os países vizinhos contam com subsídios, câmbio favorecido e menor carga tributária.
A FPA defende medidas urgentes, como a revisão de acordos comerciais, o estabelecimento de salvaguardas e o fortalecimento de políticas de apoio à produção nacional, para evitar o colapso de um setor que alimenta milhões de brasileiros e garante a sobrevivência de famílias no campo.
“Não podemos permitir que a agricultura familiar, que é a base da produção de leite no Brasil, desapareça. É questão de soberania alimentar e de justiça social”, concluiu Pedro Lupion.
A crise do leite já é considerada uma das mais graves dos últimos anos e coloca em xeque o futuro de um dos segmentos mais tradicionais da agropecuária brasileira.










