O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), decidiu não prolongar o prazo da CPI do Crime Organizado, que será encerrada no dia 14 de abril.
A informação foi confirmada pelo relator da comissão, Alessandro Vieira (MDB), nesta terça-feira (07), durante uma sessão no plenário, após uma reunião entre os dois no início da tarde. Segundo o relator, Alcolumbre disse que, por ser um ano de eleições, não seria adequado continuar com os trabalhos da CPI.
Durante a sessão, Vieira (MDB) se posicionou contra o fim da comissão e deixou claro que discorda da decisão. Ele afirmou que considera o encerramento um prejuízo para o país.
Mesmo com o prazo próximo do fim, a CPI mantém a agenda de depoimentos. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto devem ser ouvidos nesta quarta-feira (08), às 9h, para esclarecer a atuação do órgão em relação ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
- ENTENDA: Relator reúne apoio para prorrogar CPI do Crime Organizado
Sem recurso no STF
Apesar das críticas, o senador disse que não pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar mudar a decisão. Segundo ele, hoje se entende que a decisão de prolongar uma CPI depende da vontade do presidente do Senado, ou seja, é uma decisão política.
Vieira lembrou que, na semana passada, ao negar a prorrogação da CPMI do INSS, esse entendimento foi reforçado. Criar uma CPI é um direito da minoria, mas estender seu prazo depende da decisão do presidente da Casa. Por isso, afirmou que vai respeitar a regra.
A atuação do Banco Master está no centro das investigações da CPI, que apura possíveis fraudes no sistema financeiro e suspeitas de ligação com organizações criminosas. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Relatório será votado na próxima semana
Mesmo sem mais tempo para investigar, a comissão deve votar o relatório final na próxima terça-feira (14).
Alessandro Vieira (MDB) havia pedido mais 60 dias para continuar apurando as ações de organizações criminosas no país.
Segundo Vieira, a CPI investiga o crescimento de facções e milícias, além de possíveis ligações com empresas e atividades legais, o que exigiria mais tempo para analisar documentos e reunir provas. Ainda assim, garantiu que o relatório será finalizado com as informações já coletadas.
Nos últimos dias, a comissão também aprovou convocações de autoridades e ex-governadores, além de pedidos de quebra de sigilo, como parte das investigações sobre a infiltração do crime organizado em instituições públicas e no sistema financeiro.









