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A mulher trans brasileira que participou do BBB da Inglaterra

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Rebekah SheltonReprodução/ Internet

Encontrei Rebe Shelton em uma pequena cidade da Inglaterra, onde ela vive e trabalha atualmente. Após sua participação no Big Brother britânico, ela ainda passou um período no Brasil, mas, diante das dificuldades para encontrar oportunidades profissionais, decidiu retornar à Inglaterra.

Em uma conversa sobre sua trajetória, Rebe relembrou experiências marcantes, falou sobre sua relação com a televisão brasileira, os desafios enfrentados ao longo da vida e as mudanças de perspectiva que a ajudaram a encontrar felicidade nas coisas simples do cotidiano.

Nesta entrevista, ela compartilha suas opiniões, recordações e aprendizados, revelando um pouco mais sobre a mulher que se tornou depois de tantas experiências.

1- Você guarda alguma mágoa da Luciana Gimenez por causa do que aconteceu no Superpop?

De forma alguma! Pelo contrário, tenho muita gratidão pela Luciana e pela oportunidade que ela me deu.

Naquela época, eu estava passando por um momento muito difícil da minha vida. Depois de ficar 93 dias no Big Brother na Inglaterra, voltei para o Brasil querendo ficar perto da minha família, mas as coisas não aconteceram como eu esperava. Eu estava muito chateada com tudo o que estava vivendo e, quando a Luciana me perguntou se eu não ia trabalhar, acabei explodindo. Hoje vejo que poderia ter reagido de outra maneira.

Mas tem uma coisa que nunca esqueci: desde criança, meu sonho era trabalhar na televisão. Eu fingia que objetos eram microfones e saía entrevistando as pessoas na rua. Quando tive a oportunidade de fazer uma reportagem para o programa da Luciana, em São Paulo, fiquei emocionada. Era como realizar um sonho de infância, e foi ela quem me deu essa oportunidade.

Depois, entrei em contato para pedir desculpas, e ela sempre me tratou com muito carinho e educação. Tenho muita admiração por ela e fico feliz por hoje conseguir olhar para aquela situação com mais leveza. Não guardo mágoa nenhuma. Pelo contrário, sou muito grata à Luciana!

2- O que você faz atualmente e onde mora?

Hoje moro em uma cidade litorânea no sul da Inglaterra, perto de Southampton, de onde partiu o Titanic. Sou servidora pública e trabalho na área administrativa do Tribunal da minha cidade. E, acredite ou não, também já trabalhei durante um ano como agente penitenciária em um presídio inglês!

Tenho uma vida simples, minhas duas gatas e meu apartamento, que conquistei com muito esforço. Já tive uma vida de muitas festas, mas hoje gosto mesmo é de ficar em casa, cuidar das minhas coisas e assistir a um bom filme.

Amo a Inglaterra e sou grata pela vida que construí aqui, mas sinto muita saudade do Brasil. Afinal, nasci brasileira e meu coração continua sendo brasileiro!

3- Você estudou televisão na Inglaterra. O que acha da televisão brasileira atualmente? O que mudaria?

Acho que a internet mudou muita coisa. Antigamente, a televisão era um meio mais fechado, e hoje qualquer pessoa pode começar a fazer vídeos com o celular e conquistar seu público. Acho isso muito bom, porque abre oportunidades para muita gente.

Se eu pudesse mudar alguma coisa, gostaria de ver mais entretenimento e programas diferentes, porque às vezes parece que tudo fica muito parecido.

Cresci assistindo ao Silvio Santos, que era meu ídolo. Para mim, televisão sempre foi diversão, brincadeiras e aquela oportunidade de esquecer um pouco dos problemas. Também sinto falta da proximidade que ele e a Hebe tinham com o público. Fiquei muito triste com a morte do Silvio, mas feliz em ver a Patrícia dando continuidade ao trabalho dele.

4- Por que você acha que a televisão brasileira está passando por um momento difícil, com queda de faturamento e audiência?

Acho que os hábitos das pessoas mudaram muito. Antigamente, a gente chegava em casa e ligava a televisão para assistir ao programa favorito. Hoje, com o celular, podemos ver notícias e vídeos a qualquer hora, sem precisar esperar pelo horário de um programa.

Além disso, antes havia poucos canais, mas hoje qualquer pessoa pode produzir conteúdo e conquistar seu público. As empresas também passaram a investir em influenciadores e redes sociais, e não só na televisão.

Acho que a televisão precisa continuar se adaptando a essa nova realidade. Hoje as pessoas têm muito mais opções, e as emissoras precisam encontrar maneiras de continuar despertando o interesse do público.

5- Qual é o seu objetivo de vida?

Antigamente, eu queria conquistar cada vez mais coisas. Mas, depois de tudo o que vivi, aprendi a dar mais valor às coisas simples e ao que já tenho.

Quero continuar trabalhando, ter minha independência, aprender com meus erros e me tornar uma pessoa melhor. Também tenho aprendido a ser menos dura comigo mesma, porque sempre me cobrei demais.

Hoje, chegar em casa depois do trabalho, ficar no sofá com minhas gatas, comer uma pizza e assistir a um filme já me faz feliz. Meu objetivo é continuar seguindo em frente, ter paz comigo mesma e aproveitar mais a vida, sem achar que preciso ter tudo para ser feliz.

6- O que mudou na sua cabeça antes e depois da transição?

Acho que passei a me conhecer melhor e a me sentir mais confortável comigo mesma. A transição foi muito importante para mim, mas também aprendi que ela não resolve todos os problemas da vida.

Ser uma pessoa trans traz desafios, porque precisamos lidar não só com nossas próprias questões, mas também com a reação da família e da sociedade.

Antes, eu ficava muito chateada quando alguém não me aceitava e queria que as pessoas entendessem quem eu era. Hoje, penso diferente. Cada um tem o direito de pensar como quiser, e eu também tenho o direito de viver minha vida.

Não preciso da aprovação de todo mundo. Quero apenas ser respeitada, como qualquer outra pessoa, e viver em paz comigo mesma. Acho que essa foi a maior mudança: hoje me preocupo muito mais em estar bem comigo do que em provar alguma coisa para os outros.

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