A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (07), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, destituído do cargo na sexta-feira (06). A decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú após pedido do Ministério Público, que investiga o político por supostas irregularidades relacionadas ao colapso do Ueno Bank.
Peña foi acusado de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em proveito próprio, como autor. Segundo a investigação, o ex-presidente teria interferido na destinação e na permanência de recursos públicos e previdenciários no banco.
A prisão deverá ser cumprida no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, onde Peña já havia passado a noite anterior. A medida busca garantir que ele permaneça no país durante o andamento do processo.
Durante a audiência, o ex-presidente optou por não prestar depoimento. O juiz também analisa o pedido da promotoria para bloquear os bens do investigado.
Ex-presidente é investigado por crise bancária
A investigação envolve suspeitas de irregularidades na alocação de recursos públicos e previdenciários no Ueno Bank, além de possíveis falhas nos mecanismos de fiscalização e controle da instituição.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. Parlamentares que apoiaram seu impeachment acusaram o ex-presidente de favorecer a instituição e de interferir na supervisão realizada pelo Banco Central.
O Ueno Bank foi submetido a um processo de liquidação após o Banco Central paraguaio identificar problemas de solvência. A instituição tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña nega ter cometido irregularidades.
Ex-presidente do Banco Central também foi acusado
O Ministério Público também indiciou Carlos Carvallo, que comandou o Banco Central do Paraguai durante o governo Peña. Ele é investigado por lesão de confiança, produção de documentos públicos com conteúdo falso e administração em proveito próprio.
A promotoria pediu prisão preventiva para Carvallo, que também foi detido. A investigação busca esclarecer a atuação de autoridades responsáveis pela fiscalização do Ueno Bank e a movimentação de recursos públicos na instituição.
Impeachment encerrou governo de Peña
A destituição de Peña foi aprovada pelo Senado paraguaio na sexta-feira (06), por 44 votos favoráveis e uma abstenção. O processo ocorreu após a crise financeira do Ueno Bank provocar protestos e denúncias de conflito de interesses.
O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e deverá concluir o mandato, previsto para agosto de 2028.







