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Estação de monta: manejo pode aumentar concepção de éguas

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Com a chegada da primavera, começa a estação de monta, período em que criadores de equinos concentram as coberturas e inseminações para obter gestações e programar os nascimentos da próxima geração. Para melhorar os resultados, a preparação das éguas deve começar antes da primeira monta, com avaliação ginecológica, controle do ciclo e acompanhamento veterinário.

A equinocultura brasileira movimenta cerca de R$ 38 bilhões por ano, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Mangalarga Marchador (ABCCMM). O setor reúne criatórios voltados à seleção genética, exposição, esportes, trabalho e lazer, com raças como Mangalarga Marchador, Quarto de Milha, Crioulo, Puro-Sangue Inglês e Brasileiros de Hipismo.

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Luz e estação do ano influenciam a fertilidade

A reprodução das éguas é sazonal e depende, principalmente, da quantidade de horas de luz natural. Nos dias mais curtos do inverno, a atividade dos ovários tende a diminuir. Conforme a luminosidade aumenta, alterações hormonais favorecem a retomada gradual dos ciclos reprodutivos.

Porém, essa retomada não é imediata. Durante a transição, a égua pode apresentar sinais de cio sem ovular, condição necessária para que ocorra a fecundação. Por isso, o acompanhamento veterinário ajuda a distinguir o cio real de uma atividade ovariana ainda insuficiente.

Pesquisas reforçam essa sazonalidade. Um estudo que acompanhou éguas durante um ano identificou média de 8,2 folículos grandes nos ovários na primavera e no verão, contra 3,0 no outono e no inverno. O aumento de aproximadamente 2,7 vezes indica maior atividade ovariana nas estações mais favoráveis à reprodução.

Os folículos abrigam os óvulos em desenvolvimento e o monitoramento é feito através de ultrassonografia. Assim, o médico-veterinário pode fazer o acompanhamento da dinâmica e definir o que é mais adequado para a cobertura ou a inseminação artificial.

Avaliação identifica problemas antes da monta

A avaliação ginecológica deve verificar as condições reprodutivas da égua, acompanhar o ciclo e identificar alterações que possam dificultar a gestação. Idade, histórico reprodutivo e condição corporal também entram na definição do manejo de cada animal.

“O sucesso da estação de monta começa antes da cobertura ou inseminação. É fundamental conhecer o histórico de cada égua, avaliar suas condições ginecológicas e manter o calendário sanitário em dia, com medidas preventivas que contribuam para a saúde reprodutiva. O acompanhamento da dinâmica folicular também permite identificar o momento mais adequado para a cobertura. Com um manejo planejado, conseguimos aproveitar melhor os ciclos estrais, reduzir tentativas desnecessárias e buscar melhores resultados ao longo da temporada”, explica Chester Batista, gerente técnico de Equinos da Zoetis Brasil.

O controle do ciclo estral ganha mais importância nos programas de inseminação artificial com sêmen refrigerado ou congelado. Nesses casos, identificar a ovulação é decisivo para escolher o período correto de inseminação e evitar desperdício de material genético.

Nos criatórios que utilizam transferência de embriões, o planejamento inclui a sincronização dos ciclos das éguas doadoras e receptoras. O útero da receptora precisa estar preparado para receber o embrião. O diagnóstico precoce de gestação, por sua vez, permite confirmar a prenhez ou programar uma nova tentativa ainda durante a estação.

Nutrição e sanidade também definem o resultado

Além das técnicas de reprodução assistida, os resultados dependem de nutrição adequada, condições sanitárias das éguas, fertilidade dos garanhões e qualidade do sêmen. O planejamento deve considerar ainda os objetivos de cada criatório, incluindo as regras de registro das associações de raça e os calendários de competições e eventos.

O manejo hormonal pode ser usado como apoio ao controle do cio, sempre com indicação veterinária. Dependendo do fármaco e da fase do ciclo, o tratamento pode ajudar a regular o retorno ao cio e a ovulação. A escolha, a dose e o momento da aplicação devem considerar o histórico reprodutivo, a condição clínica e o objetivo do criatório.

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