Uma inovação desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) pode ampliar o acesso ao diagnóstico da tuberculose. Batizada de RRTB, a tecnologia simplifica o processamento de amostras e dispensa equipamentos laboratoriais caros, como centrífugas refrigeradas e cabines de segurança biológica.
A novidade pode beneficiar laboratórios de menor porte e serviços de diagnóstico que enfrentam limitações de infraestrutura. Além disso, sua aplicação contempla a investigação da tuberculose bovina, de casos em seres humanos e a análise de amostras de alimentos.
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A tecnologia recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e alcançou o nível 8 de maturidade tecnológica (TRL 8), classificação que indica validação em ambiente relevante de aplicação.
Técnica simplifica o diagnóstico
Tradicionalmente, o cultivo de amostras para identificar bactérias causadoras da tuberculose exige procedimentos e equipamentos específicos. Entretanto, o RRTB propõe uma alternativa mais simples para o processamento laboratorial.
A técnica utiliza uma haste flexível com algodão, conhecida como swab, uma solução neutralizadora e um meio de cultura. Essa combinação permite preparar as amostras sem depender de algumas das estruturas laboratoriais mais caras.
O diferencial está na solução neutralizadora, que contribui para ajustar as condições da amostra antes do cultivo. Dessa forma, o procedimento simplifica etapas e pode facilitar a realização dos exames em laboratórios com infraestrutura limitada.
Testes avaliaram a nova tecnologia
Durante o desenvolvimento, os pesquisadores realizaram testes para avaliar o desempenho do RRTB. A equipe também ampliou a validação em laboratórios de referência de Minas Gerais.
Ao todo, foram analisados 593 pares de amostras em sete laboratórios. Os resultados contribuíram para demonstrar o potencial da tecnologia como alternativa para o diagnóstico da tuberculose.
Outro aspecto importante é a possibilidade de ampliar o acesso aos exames, especialmente em locais onde a disponibilidade de equipamentos especializados representa um obstáculo.
Tuberculose bovina e saúde pública
A aplicação da tecnologia também interessa à investigação da tuberculose bovina, causada pela bactéria Mycobacterium bovis. A doença é zoonótica, ou seja, pode ser transmitida dos animais para os seres humanos.
A transmissão pode ocorrer pelo consumo de produtos de origem animal contaminados, especialmente leite cru e derivados sem tratamento térmico adequado. Por isso, o controle sanitário dos rebanhos e a fiscalização dos alimentos são fundamentais para proteger a saúde animal e a saúde pública.
Nesse contexto, a possibilidade de utilizar a tecnologia na investigação de amostras veterinárias e de alimentos amplia sua importância para a cadeia pecuária.
A inovação também se relaciona ao conceito de Saúde Única, que considera a conexão entre a saúde humana, animal e ambiental.
Tecnologia ainda depende de parceiros comerciais
Apesar dos resultados alcançados, o RRTB ainda não está disponível comercialmente. O Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (Critt/UFJF) busca empresas interessadas em licenciar a tecnologia e viabilizar sua produção e distribuição.
Além disso, a solução ainda precisa cumprir as etapas regulatórias necessárias, incluindo a submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A expectativa é que futuras parcerias permitam ampliar o acesso à inovação e facilitar sua incorporação aos serviços de diagnóstico da tuberculose no Brasil.
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